Polícia do Rio teve ontem um ''dia de cão''
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terça-feira, 12 de março de 2002
Clarissa Thomé<br>Agência Estado 
Rio - O sistema penitenciário de Rio viveu momentos de tensão, na madrugada de ontem. Trezentos internos da Casa de Custódia Muniz Sodré, em Bangu, zona oeste do Estado, ficaram rebelados até as 10 horas da manhã, após uma tentativa frustrada de fuga. Na zona norte, traficantes metralharam o Presídio Evaristo de Moraes, conhecido como Galpão da Quinta. Menores do Educandário Santo Expedito, em Bangu, se envolveram numa briga, já pela manhã.
O conflito no Muniz Sodré começou às 19 horas de anteontem, quando presos tentaram fugir pelo pátio. Eles lançaram uma granada contra uma guarita ocupada por policiais militares. Os PMs revidaram a tiros. Na confusão, o agente penitenciário Valdeci Bernardes da Silva foi ferido por estilhaços de granada nas pernas e os detentos Alexandre Cardoso Gomes, o Xandão da Rocinha, e Eduardo Costa foram atingidos de raspão pelos tiros.
Os presos voltaram para as suas celas e depredaram as galerias. Puseram fogo em colchões e destruiram as dependências. O diretor do Departamento do Sistema Penitenciário, coronel Reginaldo Alves Pinho, passou a madrugada negociando com os presos. Eles pediram a presença de um pastor e de representantes de comissões de Direitos Humanos para encerrar o motim. A rebelião acabou às 10 horas.
Enquanto os presos estavam rebelados, um grupo de traficantes metralhava o Presídio Evaristo de Morais, na Quinta da Boa Vista. De acordo com a polícia, o bonde (comboio) desceu do Morro da Mangueira, mas deparou-se com PMs na Rua Visconde de Niterói. Houve troca de tiros e o grupo se dispersou. Quando voltava para o morro, alguns traficantes subiram no muro do presídio e dispararam contra a unidade.
À tarde, houve um conflito entre menores do Educandário Santo Expedito, destinado a rapazes de 16 a 21 anos. Um grupo de adolescentes ateou fogo nos colchões de meninos de uma turma rival. Antes que houvesse confronto entre os dois grupos, os agentes penitenciários agiram e separaram os adolescentes. Há uma semana, num confronto semelhante, um interno de 17 anos morreu no educandário.


