Rio, 14 (AE) - A polícia do Estado do Rio vem registrando grande número de roubos de máquinas de grande porte usadas em obras, como retroescavadeiras, tratores, compressores e espalhadeiras de asfalto. Segundo o diretor da Associação de Empresas de Engenharia do Rio, Haroldo Guanabara, os ladrões costumam usar carretas para transportar as máquinas roubadas, que são revendidas por preços muito inferiores aos de mercado. Só no município de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, seis veículos foram roubados desde o início do ano.
"Não acredito que se roube um equipamento desse tipo por outro motivo que não seja a revenda, é muito específico, só serve para o tipo de serviço para o qual foi feito", disse Guanabara, que acredita haver uma quadrilha especializada em roubo de máquinas utilizadas em obras. "Transportar um veículo desses é muito difícil; não dá para ser feito por um ou dois ladrões", explica.
Máquinas de grande porte, como motoniveladoras - que nivelam o solo e têm até dez metros de comprimento - e espalhadeiras de asfalto só cabem em carretas. Já as menores, como as retroescavadeiras - usadas em obras de pequeno e médio porte - podem ser carregadas em caminhões ou levadas rodando, pois têm esteiras. "Essas são as mais visadas porque são muito versáteis", disse Guanabara.A construtora Andrade Gutierrez perdeu recentemente uma espalhadeira de asfalto. A Patrol, uma retroescavadeira , a Ceel, um compressor de 350 pés cúbicos.
Ligação direta - De acordo com o Secretário de Obras de Duque de Caxias (um dos municípios campeões em roubos destas máquinas), Ilmar Moutinho, a falta de segurança nas obras facilita a ação dos bandidos. "Em novembro, uma escavadeira hidráulica da Prefeitura avaliada em R$ 150 mil foi levada por bandidos que fizeram uma ligação direta e a colocaram em uma carreta", contou Moutinho. A polícia acredita que haja mais de uma quadrilha atuando na região.
A máquina roubada era uma das três que faziam a dragagem de rios e canais do município. "Os ladrões costumam roubar obras de empreiteiras; é a primeira vez em trinta anos que levam uma máquina da Prefeitura", disse o secretário, que vem pedindo ajuda à população para coibir os assaltos. "Não é possível que um veículo desse tamanho seja roubado sem que ninguém veja."
Seguros - Só no mês de agosto, seis caminhões de oito toneladas equipados com guindastes para operações de carga e descarga foram roubados no Grande Rio. O fato levou corretoras de seguro a aumentar o valor das apólices. "O seguro de nossa escavadeira era estimado em R$ 4,5 mil, então a Prefeitura não quis ter esse gasto", disse Moutinho.Com preço médio de R$ 120 mil, as máquinas chegam a ser vendidas por apenas R$ 8 mil, de acordo com informações da polícia.

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