Belém, 07 (AE) - A Polícia Civil do Pará prendeu hoje, em Belém, o motorista Fábio Pereira da Silva, mais conhecido como "Xuxinha", acusado de ser um dos principais integrantes da quadrilha especializada em roubar caminhões e cargas nas rodovias federais BRs-316 (Pará-Maranhão) e 010 (Belém-Brasília)
na divisa entre o Pará e o Maranhão.
A quadrilha começou a ser desmontada em meados de 1999, após a prisão do motorista Jorge Méres, hoje, principal colaborador e peça-chave das investigações da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico da Câmara dos Deputados. Foi graças a Méres que as investigações da CPI comprovaram o envolvimento do ex-deputado estadual José Gerardo de Abreu (MA), atualmente preso em Brasília.
"Xuxinha" estava há três meses foragido de uma penitenciária de segurança máxima do Maranhão. Ele foi preso numa casa do bairro Val-de-Cans, em Belém, onde morava, sem esboçar qualquer reação. A casa foi cercada por policiais fortemente armados. Dentro da residência, foi apreendido um revólver calibre 38 e uma pistola.
O motorista confessou na polícia o envolvimento com a quadrilha que roubava cargas na divisa entre o Pará e o Maranhão
acrescentando não ter idéia de quantos caminhões e carretas foram roubados nos últimos cinco anos, tempo em que passou a prestar serviços à organização. "Que eu me lembre, só fui buscar uns seis caminhões."
A Delegacia de Investigações e Operações Especiais (Dioe) tem informações de que, com a prisão de Abreu e a repressão ao crime organizado no Maranhão, a quadrilha passou a intensificar a atuação nas estradas do Pará.
"O Xuxinha estava aqui com a pretensão de montar uma base operacional do roubo de cargas e caminhões no Estado; essa base nós estamos conseguindo desmantelar", afirmou o delegado Gerônimo Furtado.
Depois de prestar depoimento em Belém, "Xuxinha" embarcou algemado num avião para São Luís, onde foi entregue à Polícia Civil daquele Estado. O delegado disse que, além de "Xuxinha", outros seis integrantes da quadrilha estão escondidos no Pará.
Méres morou dois anos em Ananindeua, município da área metropolitana de Belém, e entregou à CPI uma relação com 12 nomes de comerciantes, empresários e policiais do Pará emvolvidos com o crime organizado, que inclui sequestros, assassinatos e roubo de carga.

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