Wilson Aquino
Especial para a Folha
A polícia de Mato Grosso do Sul prendeu, em Campo Grande, Adeildo da Silva Shibukawa, 28 anos, acusado de lesar centenas de pessoas com a promessa de levá-las ao Japão onde trabalhariam numa empresa brasileira, com salário mensal equivalente a US$ 4 mil, livres de despesas de moradia e alimentação. O golpe foi aplicado no Mato Grosso do Sul, Paraná, Recife e Manaus.
Shibukawa vinha agindo desde o ano passado. Ele recebia em média R$ 2.500,00 por pessoa interessada na proposta de trabalho no Japão e que não precisa ter parentesco com japoneses. Alguns chegaram a pagar R$ 4.000,00, como é o caso de Alberto Hanser, da cidade de Ubiratã (PR). Ele pagou o valor dividido em oito parcelas.
Alberto Hanser integrou uma comitiva de 11 pessoas que se dirigiu a Campo Grande, na quarta-feira, para registrar queixa na Delegacia Especializada de Defraudações, contra Adeildo Shibukawa.
A delegada que cuida do caso, Wanda de Medeiros Ozuna já registrou mais de 50 queixas de estelionato contra o golpista e acredita que muitos não vão procurar a polícia, pois sabiam que as condições em que viajariam ao Japão, caso desse certo a documentação arranjada por Shibukawa, não seriam legais. ‘‘Outros aceitaram por ignorância’’, disse a delegada.
Na Central de Atendimento da Polícia Civil-Metropol, onde Shibukawa foi preso no dia 9, o delegado Sidnei Alberto calcula que só em Campo Grande, mais de 150 casais que pagaram em média R$ 5 mil pela promessa de emprego no Japão, devem ter caído no golpe. Muitos pagaram esse valor à vista.
Shibukawa está casado há sete meses com Silmara Vital Shibukawa e vivia num luxuoso apart hotel no centro de Campo Grande, o Seneville. Ele mantinha a esposa em cárcere privado, segundo a polícia. Como conseguiu fugir, Shibukawa foi à polícia registrar queixa de furto. Segundo ele, a esposa teria lhe furtado R$ 15 mil e fugido em companhia de duas mulheres, vizinhas no apart hotel, conhecidas apenas como Luciana e Priscila. Fez a denúncia na esperança da polícia encontrar a esposa.
A polícia conseguiu localizá-la e Shibukawa acabou confessando que apenas usou a polícia para achar a esposa. Por essa atitude, foi indiciado por denunciação caluniosa.
Como a polícia já estava investigando o provável golpe da viagem ao Japão, Adeido foi interrogado em seguida sobre o casos. Ele tentou se esquivar dizendo que estava procurando cumprir a promessa junto aos clientes. Shibukawa não conseguiu indicar à polícia qualquer cliente que teria conseguido viajar ao Japão por seu intermédio. Sua prisão coincidiu com algumas denúncias feitas no dia seguinte pelo escritório de advocacia JR que representa 40 pessoas lesadas pelo estelionatário.
Em vários casos de persuasão de novas vítimas, Shibukawa dizia que trabalhava para a W.A. Agência de Turismo, com sede em São Paulo. A delegada Wanda de Medeiros apurou junto à empresa que o rapaz nada tem a ver com a empresa e que ela estaria se preparando para processá-lo, já que a polícia encontrou com ele alguns documentos com o timbre da agência.

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