Polícia diz que monitora paradeiro de fraudadores
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sexta-feira, 27 de dezembro de 1996
Cláudio Renato Agência Estado 
RIO - O comandante do 12º Batalhão da PM de Niterói, tenente-coronel Gilberto Tenório, disse ontem que o controle sobre os fraudadores do INSS liberados da cadeia para as festas está sendo feito por intermédio de telefonemas que os próprios condenados dão diariamente para o batalhão. Não está havendo vigília sobre eles, mas tenho controle e sei onde eles estão, garantiu o comandante. Entre os fraudadores beneficiados pela Justiça está o maior de todos, o advogado Ílson Escóssia da Veiga, responsável pelo desvio de US$ 182 milhões da Previdência.
O benefício foi concedido pelo presidente do Tribunal de Justiça do Rio, desembargador José Lisboa da Gama Malcher, que alega que os presos têm bom comportamento e cumpriram um terço da pena. A Lei das Execuções Penais dá direitos a eles, afirma o desembargador. Preso desde o começo de 1992, Escóssia da Veiga foi condenado a 14 anos e seis meses de prisão pela Justiça estadual e a 11 anos pela Justiça federal. Ele e outros sete fraudadores terão que se apresentar ao 12º BPM dia 3 de janeiro.
Ontem, o maior fraudador da Previdência não foi encontrado em nenhum dos seus endereços. No telefone da ex-mulher de Veiga, Cláudia Caetano Bouças, que também cumpriu pena por fraude contra o INSS, ninguém atendia às ligações.
Uma possível fuga de Escóssia da Veiga preocupa o procurador do INSS Zander Martins de Azevedo, responsável pelas investigações sobre as fraudes contra o Instituto. Segundo o procurador, Veiga foi sócio de Jorgina Fernandes, fraudadora responsável por um rombo de US$ 112 milhões no INSS, que estaria foragida na América Central. Os dois juntos respondem por mais da metade do dinheiro desviado pelo INSS, estimado em US$ 550 milhões. Certamente, o Escóssia da Veiga sabe onde a Jorgina está, disse Azevedo.
Já o comandante do 12º BPM, coronel Gilberto Tenório, duvida que os fraudadores - mesmo com os investimentos que têm no Exterior - fujam do País. Eles adquiriram um status junto à Justiça e já estão obtendo benefícios, afirmou.


