Polícia diz que cabo atirou em sem-terra
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quarta-feira, 17 de setembro de 1997
Agência Folha Presidente Epitácio 
A Polícia Civil de Presidente Epitácio (SP) identificou ontem o cabo da Polícia Militar Maurilio Gomes da Silva, 50, como o autor do disparo que atingiu a sem-terra Teresa Pedroso, 55. O incidente ocorreu quando a PM tentava desobstruir a ponte que liga São Paulo ao Mato Grosso do Sul, na rodovia Raposo Tavares, que havia sido bloqueada por sem-terra da Associação Brasileiros Unidos Querendo Terra. O delegado de polícia Marcos Vanderlei Zamae afirmou que baseou suas conclusões depois de ouvir os depoimentos de dois oficiais da PM que acompanharam o confronto.
Não tenho mais dúvidas sobre a autoria, mas ainda é preciso esclarecer em que condições ocorreram os disparos. Em princípio, me parece legítima defesa, afirmou o delegado.
Durante o confronto, o cabo Silva foi atingido na cabeça, provavelmente por uma paulada, e foi medicado na Santa Casa de Presidente Epitácio. Segundo informações da PM, ele está afastado do trabalho. Para o tenente Alexandre Fontolan, 26, o cabo teria dito não se lembrar com exatidão do que aconteceu depois de ter recebido a paulada. Pelo que ouvi dele (cabo), não dá para afirmar que o projétil saiu da arma da polícia, afirmou o tenente.
Paralelo ao trabalho da polícia, foi aberto um Inquérito Policial Militar (IPM) em Presidente Venceslau, que deve ouvir o cabo hoje à tarde. A arma do cabo foi apreendida para perícia - havia duas cápsulas deflagradas e três intactas. A sem-terra Teresa Pedroso perdeu o baço e sofreu perfurações no
intestino. Até a tarde de ontem, ela continuava internada na Santa Casa de Presidente Epitácio e não corria risco de vida.
No protesto de anteontem, os trabalhadores sem-terra ligados à Associação Brasileiros Unidos Querendo Terra criticavam o recadastramento das famílias que serão assentadas na fazenda Lagoinha, que deve ser dividida em 250 lotes. O presidente da associação, Geraldo Lopes de Oliveira, afirma que quer que as 242 famílias já acampadas na fazenda tenham prioridade no assentamento.
O principal líder do movimento, Geraldo Lopes de Oliveira, prometeu ontem mobilizar mais de dez mil trabalhadores armados para fazer novo bloqueio da Ponte Maurício Joppert da Silva. Isso se o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) não assentar as 242 famílias de seu grupo acampadas na Fazenda Lagoinha. A ameaça foi feita em encontro para a formação do grupo de seleção que ficará encarregado de escolher as famílias a serem assentadas na propriedade.


