Polícia divulga retrato falado da mulher que deixou bilhete dos sequestradores de compositor
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quarta-feira, 17 de março de 1999
Por Edson Luiz, enviado especial 
Goiânia, 18 (AE) - Os sequestradores do compositor Wellington José Carmargo, irmão da dupla Zezé di Camargo e Luciano, voltaram a fazer contato com a família, na noite de quarta-feira. Segundo o secretário de Segurança Pública de Goiás
Demóstenes Xavier Torres, não houve uma contraproposta por parte da família quanto ao valor do resgate, fixado agora em US$ 2 milhões. Hoje, Torres divulgou um retrato falado de uma mulher que deixou um pacote contendo recortes de jornais relacionados ao sequestro e um bilhete ameaçando o advogado Paulo Viana, ex-negociador da família. Ela é morena clara, tem de 1,60 a 1,70 metro de altura, cabelos lisos castanhos e olhos pretos.
Depois da busca inútil ao cativeiro de Wellington, na cidade de Abadiânia, no interior de Goiás, as investigações praticamente retornaram à estaca zero. Somente em um dia foram feitas 16 buscas, todas sem sucesso. "Até agora já temos umas 130 notícias sobre cativeiros", disse o secretário de Segurança. A mais forte, segundo ele, seria a de Abadiânia, mas a divulgação antecipada da presença da polícia na região, conforme Demóstenes Torres, atrapalhou o trabalho da polícia. "O informante acabou não aparecendo", afirmou.
O secretário voltou a criticar o sensacionalismo dado ao caso por alguns orgãos de imprensa. "Isso está colocando a vida de Wellington em risco", observou. De acordo com ele, as informações sobre o cativeiro foram dadas por um fazendeiro da região de Abadiânia e Alexânia, cidades entre Brasília e Goiás, e tudo levava a crer que se tratava dos sequestradores. "Os peões da fazenda notaram um movimento intenso nas imediações, viram uma cadeira de rodas e uma pessoa com um curativo na cabeça", contou Torres.
Entretanto, enquanto a polícia estava indo para o local, a notícia vazou para uma emissora de televisão que colocou a informação no ar. "Não conseguimos achar onde era o local e perdemos o informante", disse o secretário. "Têm órgãos de imprensa que estão tentando ganhar audiência com fatos falsos", acrescentou Torres, referindo-se à notícia levada ao ar, que falava em tiroteios e mortos. Na verdade, três pessoas haviam morrido na quarta-feira, mas em um acidente de trânsito na rodovia que liga Brasília e Anápolis. Com a divulgação do fato, os telefones da Secretaria de Segurança de Goiás ficaram congestionados das 16 às 23 horas. A polícia deverá centralizar as investigações na região de Goiânia e entorno de Brasília, onde também estão sendo feitas as buscas. "Pelas informações que temos, o cativeiro deve estar em um raio de 150 quilômetros de Goiânia", explicou. A principal pista que a polícia tem até agora é o retrato falado da mulher que deixou um pacote com os recortes de jornais na manhã de quarta-feira em frente a um clube. Apesar de não ter concluído o exame grafotécnico nos bilhetes, escritos com caneta vermelha, Torres acredita que não é a letra de Wellington. A mulher estava em um Tempra branco, vestida socialmente e aparentava ser uma pessoa esclarecida. No telefonema dado à sede da Telegoiás, ela conversou com o vigia Delmir Neres da Silva, avisando-o sobre o pacote.
"Ela tinha uma boa aparência, aparentava naturalidade e falava corretamente o português", observou Torres. "O caso está bem encaminhado e depois do novo contato dos sequestradores
acreditamos que há sinais positivos".


