Curitiba- Especialistas dos Estados Unidos, Canadá, Japão e do Brasil, que participaram, ontem, do I Congresso Internacional de Polícia Comunitária, realizado em Curitiba, foram unânimes em afirmar que os resultados da atuação policial dependem necessariamente da confiança da população e do envolvimento da comunidade, como parceira nas ações de combate ao crime e de implementação de medidas de segurança.
Segundo o capitão Joseph M. Robinson, oficial da prefeitura da cidade de Orlando (EUA) e o tenente-coronel Eduardo Jany, oficial de ligação militar da Embaixada dos Estados Unidos, medidas simples de policiamento comunitário conseguiram reduzir a violência em várias cidades americanas. Em Nova Iorque, por exemplo, desde 1996 a violência caiu 30% em relação a anos anteriores, e em Orlando, a queda chegou a 17% no ano passado em relação a 2003.
O segredo, segundo eles, é a polícia ouvir as demandas da comunidade e criar vínculos com a população. Com isso, ela adquire a confiança da população e os dois, polícia e sociedade civil, atuam como parceiros. ''O policial tem que sair da viatura para conhecer os problemas da comunidade'', diz Jany, um brasileiro que já trabalhou como policial em várias cidades americanas.
Entre os programas da polícia americana, ele cita a ''Academia de Polícia Cidadão''. O programa prevê que pessoas da comunidade participem de atividades, durante oito semanas, com objetivo de conhecer e vivenciar todas as atividades da polícia. ''Isso cria um vínculo incrível com a comunidade. No final, aquele sujeito que no primeiro dia não confiava na polícia, sai vendo que pode haver uma parceria'', diz.
''Primeiro a polícia tem que aprender a ouvir a comunidade. Se ela assumir sozinha a responsabilidade de suas ações, vai haver segregação'', explica o policial Charles Mercier, do Departamento de Polícia do distrito de Durham, do município de Toronto, estado de Ontário, no Canadá.
Para Mercier, o trabalho da polícia também depende da participação ativa da comunidade. ''Ela tem que dar espaço para que os policiais possam interagir'', afirmou, ressaltando que a população tem que se envolver e não achar que a polícia tem obrigação de fazer todo o trabalho sozinha. ''Só assim a polícia vai trabalhar de acordo com expectativa da sociedade''. disse.
Para os policiais americanos, as iniciativas da polícia do Paraná, como a Patrulha Escolar Comunitária e o Projeto Povo (Policiamento Ostensivo Volante), a colocam como líder entre todos os estados brasileiros. ''O Projeto Povo é uma maravilha'', disse Jamy. Para ele, o programa precisa apenas criar mais vínculos com a comunidade. Os resultados vêm com o tempo. Além de Curitiba, o congresso também acontece amanhã em Londrina, e sexta-feira em Foz do Iguaçu. O público-alvo são policiais militares, comunidade e membros de conselhos de segurança.

mockup