Recife, 26 (AE) - As cerca de 80 famílias sem-terra do acampamento Camaçari, no município de Escada, a 55 quilômetros do Recife, responsáveis pelo saque de quarta-feira a um caminhão carregado com açúcar, foram despejadas na noite de ontem (25), pela polícia. Após o despejo, as famílias montaram suas barracas às margens da BR-101. O líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) em Pernambuco, Jaime Amorim, afirmou que não é com despejo que se vai resolver o problema dos agricultores sem-terra, que deverão insistir na reocupação da área até que o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) decida vistoriar a área.
A primeira ocupação do Camaçari, de 750 hectares, na zona canavieira, ocorreu em julho do ano passado. Desde então os sem- terra já foram despejados cinco vezes, de acordo com Amorim, por força de ações de reintegração de posse. O coordenador do movimento na Mata Sul, Carlos Brasileiro, garante que o proprietário da área não se opõe a negociá-la com o Incra. "O único responsável por essa situação é o Incra, que não agiliza, não tem estrutura nem capacidade", acusa.
Escada, na zona da Mata Sul, é um dos maiores focos de ocupações do Estado. São cinco acampamentos - Camaçari, Martelo, Cibiró Grande, Santa Maria e Jaguaribe - totalizando aproximadamente 800 famílias invasoras. Com a estiagem e prolongamento da seca, da fome e da falta de perspectiva de alimento e trabalho, o MST-PE está tentando negociar com a prefeitura de Escada a distribuição de cestas básicas para aliviar a tensão. Presos - Os cinco sem-terra autuados em flagrante na quarta-feira - incluindo a grávida Maria Mendes da Silva, de 49 anos - por terem participado do saque, continuam presos.

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