Polícia desocupa seis áreas e prende 18 sem-terra no PR
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quinta-feira, 06 de maio de 1999
Por Evandro Fadel 
Curitiba, 07 (AE) - A Polícia Militar desocupou hoje seis fazendas em Querência do Norte, a 650 quilômetros de Curitiba. A Secretaria de Segurança Pública informa terem sido presos 18 sem-terra. Há divergências entre os números da PM e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra sobre quantas pessoas havia nas fazendas e a hora das desocupaçãoes. O MST fala em 300 famílias, a PM em 400 pessoas. A ação teria sido ao amanhecer, segundo a PM, e às 2 horas de acordo com os sem-terra.
O MST denunciou que os barracos e pertences foram queimados pela polícia e que menores foram mantidos presos em um camburão.Participaram da operação 700 policiais de vários batalhões do Estado.
O secretário de Segurança Pública do Paraná, Cândido Martins de Oliveira, negou qualquer violência. "Todas as famílias e todas as pessoas que ocupavam essas áreas foram tratadas respeitosamente pela Polícia Militar", afirmou."Se algo foi queimado, não foi pela polícia."
Segundo o secretário, os critérios para a reintegração foram a existência de ordem judicial, a declaração de produtividade da área e a decisão do proprietário de não negociá-la com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Oliveira disse que há cerca de 60 outras reintegrações de posse emitidas pela Justiça no Estado, mas apenas 10 áreas foram declaradas improdutivas. Não há prazo para a saída dos policiais da região de Querência do Norte.
Presos - O secretário disse que os sem-terra receberam uma sacola para pôr os pertences, foram alimentados, cadastrados e levados em ônibus alugados pela secretaria para os locais de origem. Ele afirmou que entre os presos alguns tinham mandado de prisão, outros foram detidos por resistência à prisão, porte ilegal de arma ou por formação de quadrilha. Foram apreendidas duas espingardas e 70 armas brancas. Os presos foram levados às delegacias de Paranavaí e de Loanda. Oliveira disse que a polícia tem uma estratégia para evitar que as fazendas sejam reocupadas, mas não quis revelá-la. "Mas também não vamos admitir milícias armadas", alertou.
Menores - O coordenador do MST, Rogério Mauro, disse que quatro menores, com idades entre 10 e 16 anos, foram vistos dentro de um camburão em frente à delegacia. Ele também acusou os policiais de terem levado 15 pessoas de camburão em direção à divisa entre o Paraná e Mato Grosso do Sul. "O pessoal viu que também ia junto um Kadett branco com quatro encapuzados", afirmou. O secretário negou que isso tivesse ocorrido.
O MST vinha anunciando desde o início da semana a possibilidade de serem efetivadas as reintegrações judiciais de posse. Mas a Secretaria de Segurança Pública negava a intenção, alegando que seria apenas a segunda etapa do programa de desarmamento. "A operação de desocupação faz parte de um plano global de segurança pública do Estado, que é o desarmamento", disse hoje o secretário. "No momento em que a polícia chega em um determinado lugar para fazer o desarmamento e percebe uma situação irregular, a polícia cumpre o mandado judicial."
UDR - O coordenador da União Democrática Ruralista (UDR) no noroeste, Tarcísio de Souza, elogiou a operação policial. "Temos que parabenizar o governo pela maneira eficaz e sem conflito, que é o que nós queremos", disse. "Estamos confiantes de que a reforma agrária seja feita de acordo com a Justiça, trazendo a paz ao campo.".
Hoje a juíza de Loanda, Elizabeth Khater, negou que o líder dos sem-terra Paulo Demarchi a tivesse desacatado, ontem, conforme havia dito o assessor do secretário de Segurança Pública, Valdir Bicudo. Segundo ela, o pedido de prisão temporária do sem-terra foi feito pela polícia sob acusação de receptação de gado roubado e porte ilegal de arma. Ele continua preso na delegacia de Paranavaí.


