Polícia desocupa prédio e prefeito reassume
Lúcio Flávio Moura
De Foz do Iguaçu
Especial para a Folha
O brasileiro Romildo Maia de Souza (Partido Colorado) reocupou, na tarde de ontem, a cadeira de prefeito de San Alberto, cidade do leste do Paraguai a 88 quilômetros ao norte de Foz do Iguaçu.
Desde 15 de julho, Souza e 12 funcionários municipais estavam impedidos por um grupo de campesinos (sem-terra paraguaios) de circular na principal praça da cidade e de despachar no prédio da prefeitura, cercado e fechado pelos manifestantes.
O movimento dos campesinos do departamento (equivalente a estado) de Alto Paraná, no leste do Paraguai quer a intervenção federal no município ou a renúncia do prefeito, acusado por vereadores oposicionistas de desvio de recursos e má administração.
Na manhã de ontem, 40 homens da Polícia Nacional fizeram a desocupação da praça, que chegou a abrigar um acampamento de 500 campesinos oriundos de vários municípios vizinhos.
Os sem-terra não resistiram. Resumidos a apenas 30 manifestantes (o restante já havia retornado aos acampamentos de origem), atenderam pacificamente a ordem do comandante da operação de desbloquear a área.
Os policiais, arregimentados em Ciudad del Este e em vários municípios vizinhos a San Alberto (o efetivo da delegacia local conta apenas com sete homens), usaram um maçarico para reabrir a porta principal da prefeitura e instalaram um cordão de isolamento ao redor do prédio.
A desocupação também permitiu que o fiscal do Tribunal de Contas do Paraguai, Carlos Arcem Obrigón, recolhesse documentação referente aos gastos do município em 1998 e no primeiro semestre deste ano. O órgão analisará a partir de hoje, em Assunção, as contas da gestão de Souza - o único brasileiro a administrar um município do Paraguai.
Caso as contas não sejam aprovadas, o prefeito terá um prazo de 10 dias para recorrer da decisão. Se o órgão persistir na desaprovação, Souza poderá ser afastado do cargo pela Câmara de Deputados, como prevê a constituição paraguaia.





