Polícia desocupa área em Grandes Rios
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sábado, 24 de fevereiro de 2007
Wilhan Santin<br>Reportagem Local 
Pela segunda vez no ano, um aparato de policiais militares foi mobilizado para cumprir uma reintegração de posse de uma fazenda ocupada pelo Movimento dos Agricultores Sem Terra (Mast). Ontem, cerca de 60 famílias que estavam acampadas na Fazenda São Luíz, de 200 alqueires, que fica no município de Grandes Rios (110 km ao Sul de Apucarana), foram retiradas do local. No início de janeiro, a Polícia Militar (PM) já havia retirado integrantes do Mast de uma fazenda em Ribeirão do Pinhal (Norte Pioneiro).
Mais de duzentos homens, de cinco batalhões da Polícia Militar (PM), chegaram à fazenda, que fica às margens do Rio Ivaí, no início da manhã. Os sem-terra saíram de forma pacífica, porém lenta. Como a área estava ocupada desde julho de 2006 algumas famílias demoraram para desmontar os barracos e tirar todos os pertences e animais do local, além de colher alguns legumes que haviam plantado.
Boa parte das famílias foi levada para o ginásio de esportes da cidade, onde o clima era de revolta por parte dos integrantes do Mast. Eles acusam um dos proprietários da fazenda, o empresário Gilberto Ricieri, ex-prefeito da cidade e marido da atual prefeita, Eliane Ricieri (PMDB), de ter levado, em caminhões da prefeitura, as famílias até a área e prometido que ficariam ali para sempre.
''Vamos ficar acampados aqui, do lado de fora do ginásio porque não nos deixaram entrar, para mostrar a todos o que está acontecendo. O Gilberto foi até uma outra área onde estávamos acampados e usou a máquina pública para levar o nosso povo até a São Luíz. Agora que nos retirou de lá, vai ter que dar um jeito'', acusou Áureo César, um dos coordenadores do Mast.
Ricieri recebeu a reportagem da Folha na prefeitura. Ele negou que tenha levado as famílias até sua fazenda. ''Não existe nada disso, eles foram para lá de livre e espontânea vontade'', respondeu. Também afirmou que nunca procurou o pessoal do Mast para conversar. ''Tudo foi feito judicialmente, nunca fui a lugar nenhum conversar com eles. Sempre que os encontrei na cidade o tratamento foi respeitoso, de ambas as partes, mas nunca fiz parceria alguma com eles''.
Sobre a falta de abrigo para as famílias, ele disse que a prefeita está providenciando toda a ajuda que for possível, mas a entrada no ginásio não seria permitida devido a lei que proíbe a ocupação de locais públicos em casos como esse.


