O inquérito da Delegacia de Homicídios de Londrina (DHL) apontou a motivação que rondava o assassinato do indígena Germano do Tej Rodrigues, 48 anos, morto com um tiro na cabeça na noite do dia 19 de maio de 2018 no distrito de Lerroville, zona rural. Segundo as investigações, a vítima morreu depois de se envolver em uma discussão por causa de uma moto.

O crime aconteceu na rua Mateus Lemes Gonçalves, uma das principais do distrito. O corpo foi encontrado no meio da via. Investigadores tiveram dificuldade em identificar o suspeito pela ausência de câmeras de segurança no local. Moradores foram ouvidos, mas afirmaram não terem visto nenhum vestígio do assassino.

Imagem ilustrativa da imagem Polícia descobre motivo de indígena ter sido assassinado na zona rural de Londrina
| Foto: Gustavo Carneiro/Grupo Folha

Até os depoimentos dos familiares de Rodrigues, em um primeiro momento, demonstraram-se infrutíferas. Segundo o relatório de apuração que consta no processo, os parentes alegaram que a vítima não tinha dívida, não era envolvido com a criminalidade e muito menos tinha desavenças com ninguém.

Em agosto de 2019, mais de um ano após o crime, policiais receberam uma denúncia anônima sobre o motivo do homicídio. A informação indicava que um morador de Lerroville intermediou a negociação da moto, uma Honda CG verde, entre Rodrigues e o então proprietário.

O indígena teria se revoltado depois de descobrir que o veículo tinha sido furtado. Conforme a polícia, ele tentou desfazer o negócio, mas não conseguiu. O rapaz que vendeu a motocicleta, identificado no inquérito apenas como Helton, vulgo "Chapinha", foi considerado como o executor. Ele já foi preso por tráfico.

A Polícia Civil não obteve provas o suficiente que incriminassem o homem que intermediou a negociação. Em depoimento, ele apenas disse que "queria ganhar uma comissão sobre a venda. Uma semana depois, ele (Germano Rodrigues) me procurou para devolver a moto, alegando que era fruto de crime e que queria o seu dinheiro de volta", relatou ao delegado João Reis, titular da Homicídios.

No final do ano passado, o promotor Ricardo Domingues denunciou o jovem de 22 anos por homicídio duplamente qualificado. Ele entendeu que o delito aconteceu por motivo fútil, no caso a venda da Honda, e por recurso que dificultou a defesa da vítima pelo tiro na cabeça.

O advogado de Helton, Eduardo Macedo Alves Pereira, discordou da acusação do Ministério Público. Para ele, o rapaz agiu em legítima defesa porque Rodrigues o teria ameaçado. "Ele foi armado tirar satisfação assim que descobriu a origem ilícita do veículo adquirido. O meu cliente disse que não teria o dinheiro naquele momento, mas combinou de acertar tudo no final de semana. Sem aceitar o acordo, o Germano teria dito que iria atirar nos familiares do Helton se não tivesse o pagamento na hora", explicou.

Segundo a defesa do suspeito, o indígena disparou seis vezes, mas todos os tiros falharam. "O Helton, nervoso como estava, pegou uma arma e atirou no Germano. Não foi como o Ministério Público afirma, que tudo foi direcionado. Não é que ele mirou e atirou. Aconteceu sob forte emoção", pontuou.

Pereira garantiu que a esposa do atirador presenciou as ameaças de Rodrigues. "Os três envolvidos neste caso, o Rodrigues, o negociador e o Helton, sabiam que a moto era furtada". A Justiça não chegou a expedir mandado de prisão contra o acusado, que, por isso, continua solto. O juiz da 1ª Vara Criminal, Paulo César Roldão, marcou para 17 de agosto a primeira audiência do processo.

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