BELÉM - A Polícia Civil do Pará descobriu uma rede de prostituição infantil em Itaituba, região oeste do Pará, que aliciava meninas com até oito anos de idade. Quatro homens foram presos na última sexta-feira e outros cinco tiveram prisão preventiva pedida ontem, sob acusação de participação na rede de prostituição infantil.
O inquérito foi aberto depois que a mãe de uma menina de 13 anos foi ao Ministério Público acusar o comerciante Miguel Bezerra de Almeida de prostituir sua filha.
Almeida, dono de um bar em Itaituba (900 quilômetros a sudoeste de Belém-PA), foi preso acusado de aliciar meninas e fotografá-las em atos sexuais para um álbum que ele mostrava aos fregueses. As meninas eram oferecidas para encontros sexuais.
A polícia apreendeu em seu estabelecimento um álbum com mais de cem fotografias de meninas nuas e durante relações sexuais. Foram identificadas meninas de 8 a 13 anos. Além de Almeida, foram presos o dono de um motel, um taxista e o dono de uma boate.
Em seu depoimento à polícia, o comerciante disse que ‘‘era seduzido pelas meninas’’ e que as fotografava ‘‘porque elas gostavam’’.
‘‘Suspeitamos que outros donos de motéis e boates estejam envolvidos no esquema. Eles são coniventes por permitir que as menores frequentem os estabelecimentos.
Os taxistas que buscavam as meninas para os clientes eram também sempre os mesmos’’, disse Margareth Sinimbu, promotora de Justiça. ‘‘Eles se conheciam, mas não admitem que estivessem juntos no esquema.’’ O farmacêutico que teve prisão preventiva pedida é acusado de dar remédios às meninas para tratamento de doenças venéreas, em troca de ‘‘favores sexuais’’.
As meninas disseram em seus depoimentos que foram convencidas a fazer as fotografias com o argumento de que era um tipo de ‘‘concurso de beleza’’.
Durante as sessões, acabavam sendo estupradas. Há fotos feitas desde 1991. Uma menina foi usada para convencer outras a fazer o mesmo.
Várias das meninas fotografadas foram identificadas pelas meninas ouvidas pelo Ministério Público. Elas afirmaram que há colegas suas que ‘‘foram levadas’’ para Goiás, Amazonas e Amapá, mas não revelaram quem as levou.
Há suspeitas de tráfico interestadual de crianças. As meninas recebiam R$ 5 por programa, embora lhes fosse prometido quase sempre R$ 50, segundo a maioria dos depoimentos.

mockup