Polícia desativa equipes especiais
Polícia desativa equipes especiais
Marcos NegriniContorno Sul de Maringá era o ponto preferido dos assaltantesA Polícia Rodoviária, que enfrentava graves problemas com o grande trânsito de ônibus de sacoleiros na região de Maringá, hoje está desativando equipes especiais para coibir assaltos nas rodovias. O capitão Esmeraldo Mançano, comandante da 4ª Companhia de Polícia Rodoviária, calcula que a queda no movimento é de 60% ou mais.
Chegamos a fazer blitz nas rodovias da região e abordar até 300 ônibus por noite. Hoje, em alguns dias da semana, não chega a passar um veículo com compristas, diz. Uma blitz realizada na noite da última quarta-feira abordou apenas cinco ônibus.
A queda no movimento de sacoleiros, segundo Mançano, é bom para a Polícia Rodoviária, apesar de afetar negativamente outros setores. Ele revela que os ônibus particulares ou de pequenas empresas, principalmente vindos do Norte e Nordeste do País, sempre causaram problemas.
O pessoal queria dirigir sem parar, dormiam no bagageiro e, às vezes, o motorista era flagrado alcoolizado. O problema não se limitava à disciplina dos condutores. Durante alguns anos, a polícia enfrentou problemas para combater os assaltos a ônibus.
O trecho visado, há cerca de sete ou oito anos, era a PR-444, entre Arapongas e Mandaguari. Os ônibus optaram pela PR-317, vindo por Presidete Prudente (SP), e os assaltantes foram juntos. Nos últimos anos, o ponto mais visado era o Contorno Sul de Maringá, trecho de muitas subidas e com muitos quebra-molas. A Polícia Rodoviária formou grupos especiais para combater esse tipo de crime. Hoje, com a queda no movimento de ônibus, estamos desativando os grupos, revela capitão Mançano.
As empresas de Maringá que operam com sacoleiros trabalham no vermelho com os ônibus especiais para o Paraguai. Duas das maiores empresas, que mandavam em média cinco ônibus cada para Ciudad del Este, não operam mais na linha. A Amarantur, que entrou no mercado para concorrer com as grandes, depende dos sacoleiros e aposta na retomada dos negócios.
Juntamos o pessoal daqui e de Campo Mourão e vamos colocar os ônibus três vezes por semana novamente, comemora a dona da empresa, Altina Francisca dos Santos. São de quatro a seis passageiros em Maringá e cerca de 10 em Campo Mourão.
Ela diz que agora não está valendo a pena, mas tem que atender os passageiros que foram clientes durante oito anos. Eu mesmo ia para lá de vez em quando, mas hoje não compensa mais, garante. Altina diz que é impossível saber se um dia a situação melhora para os compristas. Os poucos sacoleiros que passam e param em Maringá não gostam de falar sobre o assunto. Marcos, de Belo Horizonte, concordou em dar entrevista, desde que não fosse fotografado ou tivesse o nome inteiro divulgado.
Ele viaja os 1.800 quilômetros entre Belo Horizonte e Ciudad del Este pelo menos uma vez por semana há sete anos. O lucro que era de 70% nos bons tempos hoje fica na faixa de 30% e até 15% em algumas mercadorias. Continua valendo a pena porque a gente não tem outra alternativa, afirmou, emendando que faz o que gosta. Segundo Marcos, vale a pena trazer tudo que é de informática. (M.Z.)





