O líderO nigeriano Peter Osyeije Ginigaeme foi preso logo depois de receber cocaína dentro de uma agência bancáriaO Departamento Estadual de Narcóticos (Denarc) desmantelou anteontem a base operacional de uma importante facção da máfia nigeriana de tráfico de drogas. Oito policiais da 4ª Delegacia do Denarc comandados pelo delegado Robert Leon Carrel prenderam o líder da quadrilha, Peter Cristopher Onwumere, de 34 anos, o número-dois do grupo, Isaac Uchechukwu, de 21 anos, um dos seguranças de Onwumere, Franktony Amanze Any Anwu, de 40 anos, e Peter Osyeije Ginigaeme, de 33, e Ambrose Kingdom, de 28, cuja participação no esquema ainda não foi identificada.
Havia pelo menos um ano os policiais do Denarc vinham investigando a atuação da quadrilha e já haviam detido 34 ‘‘mulas’’, pessoas contratadas para levar a droga em pequenas quantidades para fora do País. As mulas acabaram apontando para Onwumere, que vinha sendo seguido no último mês.
Segundo o diretor da Divisão de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) do Denarc, Marco Antônio de Paula Santos, Onwumere possui uma casa em Beverly Hills, elegante bairro de Los Angeles, nos Estados Unidos, e foi preso no final da tarde de quarta-feira depois de sair de uma agência bancária no centro. ‘‘Ele estava recebendo uns 15 quilos de cocaína e foi seguido ao deixar o banco’’, disse Santos.
Os policiais também estavam sendo vigiados pelos seguranças de Onwumere. ‘‘Com a abordagem da polícia, os seguranças armaram uma espécie de tumulto e a pessoa que levava a droga conseguiu escapar.’’ Revistando o líder, a polícia encontrou indícios que levaram a um apartamento na Rua Frei Caneca, em Cerqueira César, onde estavam os outros integrantes da quadrilha.
No apartamento foram apreendidos telefones celulares, um cheque no valor de U$ 360 mil, cerca de dois quilos de cocaína e frascos de shampoo prontos para receber a droga que sairia do País.
Também foram encontrados dois endereços em São Paulo que serão checados pelo Denarc, além de contatos no Reino Unido (Inglaterra, Escócia, Gales e Irlanda do Norte), Angola, África do Sul, Rússia e Estados Unidos. ‘‘Todos esses países têm ligação com essa facção da máfia nigeriana’’, destacou Santos.
O delegado explicou que o bando recrutava mulas brancas, de preferência europeus e sul-africanos, e oferecia-lhes US$ 2 mil para tomar um avião para algum lugar do Brasil. Chegando ao País, eles deveriam telefonar para um contato e dizer quem os enviou. ‘‘Eles ficavam em hotéis indicados por esse contato, que acabava enviando alguém com pequenas quantidades da droga embaladas em frascos de shampoo e dentro de quadros’’, disse Santos.
Para o delegado do Denarc, havia tanto profissionais atuando como mulas quanto pessoas que não sabiam o que estavam transportando. Segundo ele, Onwumere mora no Brasil há sete anos. Os demais traficantes estavam em situação irregular no País. Mulas - A quadrilha nigeriana de narcotraficantes estaria contratando europeus como ‘‘mulas’’. Segundo o Denarc, o europeu é contratado em seu país por um membro da quadrilha no exterior. A ‘‘mula’’ ganha entre US$ 1.000 e US$ 8.000 paratransportar a droga.
Depois de desembarcar no Brasil, a ‘‘mula’’ vai para o flat reservado pela quadrilha. Ela fica aguardando o contato telefônico da conexão brasileira do grupo.
A ‘‘mula’’ recebe a visita do traficante que traz a cocaína escondida em malas com fundos falsos ou em objetos. Algumas ‘‘mulas’’ são levadas para ‘‘incubadeiras’’, onde podem ingerir preservativos com a droga. Atualmente, as ‘‘mulas’’ estão deixando o País por aeroportos menos visados, como os de Porto Alegre (RS), Salvador (BA) e Recife (PE). Em seu país de origem, a ‘‘mula’’ entrega a droga para quem a contratou.

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