Polícia desarma assentados de Ramilândia
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 04 de fevereiro de 2003
Gilmar Agassi<br> Equipe da Folha 
Cascavel - As polícias Militar e Civil do Paraná realizaram ontem uma operação de desarmamento no assentamento 16 de Maio, em Ramilândia (81 Km a oeste de Cascavel). Entretanto, o vazamento de informações sobre a operação acabou prejudicando o trabalho dos policiais, que encontraram poucas armas no local. Os assentados reconheceram que desde anteontem tinham conhecimento da possibilidade da realização de uma operação na localidade.
A operação, encerrada por volta das 13h30, contou com a participação de cerca de 200 homens, que procuraram armamentos nas casas onde vivem as 220 famílias assentadas numa área de cerca de 3.800 hectares. Um helicóptero também auxiliou na operação. Foram encontrados um revólver calibre 38, três espingardas e uma garrucha. O assentado Valdevino dos Santos deverá responder processo por porte ilegal de armas. ''As armas estavam na minha casa para a gente se proteger dos bandidos'', disse.
De acordo com o comandante da operação, tenente-coronel Antônio Amauri de Lima, a operação foi desencadeada dentro dos princípios da legalidade, já que a ação está amparada com mandados de busca e apreensão, emitido pela juíza de Matelândia, Lia Tedesco. ''Sabemos que existem grupos divergentes no assentamento 16 de Maio, mas a polícia vai agir com imparcialidade, fazendo a busca e apreensão em todas as residências'', ressaltou.
O líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Moisés Maurício, alega que o clima de terror existente no assentamento é responsabilidade de ''pistoleiros'' que passaram a viver no local depois que compraram os direitos de propriedade de ex-membros do movimento. Ele conta que duas casas existentes na sede do assentamento foram destruídas por pessoas dissidentes do movimento. ''Eles vivem armados ameaçando os assentados'', denuncia.
O delegado Vinicius Augustus de Carvalho, do Cope (Centro de Operações Policiais Especiais), que comandou a operação pela Polícia Civil, permanecerá na região por mais 15 dias, a fim de ajudar nas investigações do assassinato do agricultor Nelson Alves de Souza, 33 anos, ocorrido na última quarta-feira. Os membros do MST acusam os dissidentes pela morte do agricultor.


