Polícia de Uganda busca mais vítimas de culto
BUHUNGA, Uganda, 26 (AE-AP) - A polícia ugandense rastreava hoje (26) edifícios e terrenos pertencentes à seita apocalíptica Movimento pela Restauração dos Dez Mandamentos, depois de ter encontrado mais uma fossa sanitária repleta de cadáveres estrangulados e mutilados.
Seis propriedades, que se sabia pertencer à seita, estavam sendo examinadas. "Nós acreditamos que onde quer que haja uma ramificação da seita, podem existir mais sepulturas", disse o parlamentar Jim Muhwezi.
Hoje, as autoridades locais descobriram partes de um corpo ao cavarem uma propriedade da seita no vilarejo de Rugazi, cerca de 60 quilômetros de Buhunga - aldeia situada numa bucólica colina. Depois da descoberta, os policias interromperam as escavações a espera de especialistas para examinar os corpos.
A aldeia fica a menos de 30 quilômetros da sede da igreja do Movimento pela Restauração dos Dez Mandamentos em Kanungu, onde, no dia 17, morreram queimados pelo menos 330 fiéis num aparente suicídio coletivo. No sábado, ainda se podia sentir o forte odor dos corpos em decomposição que foram enterrados numa vala comum no extremo de Buhunga. Um pequeno monte de terra era a única identificação do memorial dos cerca de 150 membros da seita ali sepultados.
Ainda na quarta-feira, três valas coletivas foram descobertas no piso de duas casas de um complexo do culto em Buhunga. A polícia exumou os cadáveres e voltou a enterrá-los depois. No dia seguinte ao suicídio, foram encontrados corpos enterrados no terreno da igreja: alguns numa fossa sanitária e outros numa horta.
Segundo o conselheiro local Henry Ndyambahika, os cadáveres foram enterrados ao longo de vários meses, alguns havia seis semanas e outros, mais recentemente. O número exato de mortos em Kanungu, 350 quilômetros a sudoeste da capital ugandense, Kampala, continua um mistério. Muitos dos cadáveres foram reduzidos a cinzas.
Não há confirmação se o líder da seita, Joseph Kibwetere, e alguns de seus "teólogos" estariam entre os mortos no incêndio.
Os membros da seita venderam todos seus bens uma semana antes do incêndio e despediram-se de seus parentes e amigos. Entre os mortos, foram identificados os cadáveres de pelo menos 78 crianças.
Essa evidência e a descoberta das valas repletas de mortos levaram a polícia a investigar a tragédia como uma sequência de crimes e não apenas como o impulso de fanáticos religiosos.





