São Paulo, 26 (AE) - Desde 1992, ano do massacre de 111 presos no Pavilhão 9 da Casa de Detenção, a polícia de São Paulo não matava tanto em São Paulo. Mais de 650 pessoas foram mortas por policiais civis e militares no Estado em 1999, aumento de cerca de 25% em relação a 1998 - 525 mortos, 466 por PMs e 59 por policiais civis. Esses números estarão no relatório que a Ouvidoria da Polícia divulga amanhã com os dados do último trimestre de 1999 e com o balanço do ano passado.
De acordo com o ouvidor, o sociólogo Benedito Mariano, o maior crescimento ocorreu no número de pessoas mortas pela Polícia Civil. "No começo da década eram 10 por ano; em 1999, foram 70", disse. Das pessoas mortas pela polícia, 57,5% nunca haviam sido presas anteriormente e 55% eram negras. A maioria (51%) tinha entre 18 e 25 anos e 11% tinham menos de 18 anos. A polícia quase não matou mulheres - 2,5% do total.
Os dados são da Ouvidoria da Polícia com base em informações fornecidas pelas Corregedorias das Polícias Civil e Militar. "Esses números mostram que uma polícia mais violenta não é eficiente, pois a criminalidade não diminuiu no ano passado", disse Mariano.
O número de policiais mortos também aumentou. "Principalmente os civis", disse o ouvidor. Para Mariano, isso está ocorrendo porque cada vez mais a Polícia Civil está assumindo tarefas ligadas ao policiamento ostensivo e preventivo no Estado. "Com isso, aumenta o número de pessoas mortas por essa polícia e de seus homens mortos em confronto com bandidos."
De acordo com Mariano, o número de policiais civis mortos em tiroteios foi maior do que o de policiais militares no ano passado. "Dos 44 policiais que a PM informa ter morrido em serviço em 1999, 27 foram realmente em consequência de tiroteios com bandidos; os demais foram vítimas de atropelamentos, acidentes de carro e afogamento."
Segundo o ouvidor, o grande problema da PM é o aumento contínuo de policiais assassinados no horário de folga. "São quase cinco vezes mais que os mortos em serviço."
Denúncias - Segundo o relatório do 4.º trimestre de 1999
o órgão ouviu 2.501 pessoas e encaminhou 1.191 denúncias às polícias. Ao todo, 49% delas envolviam policiais civis e 51%, policiais militares. A principal acusação feita contra a polícia naquele período foram casos de infrações disciplinares (20% das denúncias). Em segundo lugar ficaram os casos de homicídios (9%) e abuso de autoridade (8%).
Em 1999, a ouvidoria atendeu 10.395 pessoas e encaminhou 4.923 casos para que as duas polícias apurassem. Levando-se em conta o ano inteiro, a proporção entre acusações contra a Polícia Civil e a PM inverte-se. A primeira passa a ser responsável por 51% dos casos e a segunda, por 49%. A ouvidoria apresentará sugestões para diminuir o número de mortos pela polícia.

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