Polícia de Porecatu tem dois suspeitos
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quarta-feira, 16 de agosto de 2000
Lúcio Flávio Moura Enviado a Porecatu 
O delegado de Porecatu (85 km ao norte de Londrina), Márcio Vinicius Ferreira Amaro, suspeita que a quadrilha de Marcelo Borelli, um dos assaltantes mais conhecidos do Norte do Estado, esteja envolvido no sequestro-assalto do vôo 280 da Vasp.
Além de ser um criminoso que gosta muito deste tipo de ação, ele conhece muito bem a região. Tem familiares em Centenário do Sul. Só assim poderia planejar uma ação tão ousada, teoriza. Além de Borelli, outro suspeito de participar do sequestro-assalto é Uel Leite de Souza, 44 anos, acusado de pilotar o avião que resgatou a quadrilha responsável pelo assalto ao carro-forte da TGV na PR-170, município de Florestópolis, em 29 de fevereiro.
Na ocasião, Souza foi o único a ser preso. Transferido a pedido da Justiça para Roraima, o piloto assaltante fugiu há três meses do presídio em Boa Vista. Há depoimentos de alguns passageiros que entre os assaltantes havia um que dominava pilotagem. Isto é um grande indício que o Uel pode estar mesmo envolvido, afirmou Ferreira Amaro.
O clima na delegacia de Porecatu era tenso na noite de ontem. Policiais locais e a equipe de investigadores de Londrina iriam bolar um plano de captura durante a madrugada, ouvindo moradores da zona rural. Com o avanço nas investigações, o delegado demarcou o território de quatro municípios como área provável por onde a quadrilha teria passado após o assalto. Além de Porecatu, Jaguapitã, Centenário do Sul e Florestópolis foram cercados por barreiras. Outras equipes estão de prontidão nas divisas com Mato Grosso do Sul e São Paulo.
As evidências de que a Ranger trafegou por estes municípios após a fuga foi baseada no relato das três pessoas que estavam no aeroporto de Porecatu (a pista de 2,5 mil metros de extensão e largura de 100 metros é asfaltada) no momento do pouso do 737. O vigilante Sebastião Morais da Silva, um mecânico identificado como Valdemiro e o proprietário de uma empresa de aviação agrícola, identificado como João Ramalho.
Os três abordaram a aeronave no momento do pouso e foram surpreendidos pelo desembarque dos assaltantes encapuzados. Um dos cinco homens tomou o revólver calibre 38 do vigilante e ameaçou roubar um dos dois carros do empresário. Ramalho disse à Polícia Militar que a quadrilha ficou apavorada com o atraso da Ranger. Por este motivo teria pensado por instantes fugir com um dos veículos. No impasse, um integrante da quadrilha teria se queimado ao tocar em uma das turbinas. Com fuzis, metralhadoras e pistolas automáticas eles teriam obrigado o comandante do vôo a seguir viagem.
A Ranger teria seguido na direção da divisa com São Paulo, mas desistiu pelo trânsito de caminhões carregados de cana. No contorno de Porecatu, inverteram a rota e foram perseguidos de longe por viaturas da delegacia local. Os assaltantes teriam entrado no acesso à cidade de Centenário do Sul. Como não foram vistos na cidade, a polícia supõe que acabaram buscando um atalho por um estrada rural.


