Polícia de PE prende um dos 5 mais perigosos sequestradores do Rio
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 21 de dezembro de 1999
Por Angela Lacerda 
Recife, 21 (AE) - A polícia pernambucana mantém preso em regime temporário, na sede da Delegacia de Operações Especiais no Recife, Miguel Alves da Silva Neto, ligado à organização criminosa Comando Vermelho e apontado pela polícia carioca como um dos cinco mais perigosos sequestadores do Rio.
Mais conhecido como "Miguelzinho" ou "Copa", paraibano, de 32 anos, ele é acusado de liderar a quadrilha que sequestrou o neto do dono da empresa pernambucana de ônibus Borborema, Gustavo Schwambach, qua passou um mês em cativeiro, sendo libertado em outubro mediante o pagamento de um resgate de R$ 750 mil. "Miguelzinho" incendiou dois ônibus da empresa e torturou Schwambach (numa sessão gravada em vídeo que, depois, foi enviado para a família) como forma de pressionar o pagamento do resgate durante as negociações com os familiares.
O delegado titular da Divisão Anti-Sequestro do Rio , Fernando Moraes, acompanhou, no Recife, a reconstituição do sequestro de Schwambach e informou que "Miguelzinho" é condenado a 14 anos de reclusão e possui 13 mandados de prisão expedidos contra ele pela Justiça carioca desde 1990. Moraes confirmou as ligações do sequestrador com o Comando Vermelho e disse que ele é jurado de morte pela organização porque não dividia o dinheiro dos resgates com os comparsas. O delegado acredita que "Miguelzinho" estaria morto se tivesse continuado no Rio, de onde desapareceu há alguns anos.
Depois de concluído o inquérito policial que investiga o sequestro de Schwambach, "Miguelzinho" deverá ter prisão preventiva decretada pela Justiça pernambucana. De acordo com o chefe da Polícia Civil, Manoel Carneiro, ele irá aguardar julgamento na Penitenciária Barreto Campelo, na Ilha de Itamaracá, por questões de segurança. É que, ao ser preso, o sequestrador afirmou que iria sair da prisão sem precisar de advogado, mas pagando a fuga. O Presídio Aníbal Bruno, onde os presos aguardam julgamento, não tem a estrutura de segurança da Barreto Campelo.
Em entrevista, "Miguelzinho" disse ter prestado serviços a vários políticos do Rio, sequestrando empresários para, com o dinheiro dos resgates, financiar campanhas eleitorais. Ele não citou nomes.


