Polícia de Nova York envia ao Brasil provas contra Scherer
Brasília, 29 (AE) - A polícia de Nova York enviou hoje ao Ministério da Justiça o que considera ser o conjunto de provas para que o modelo Márcio Fonseca Scherer seja julgado no Brasil pelo assassinato do empresário João Sabóia, no dia 12 último, no hotel Waldorf Astoria.
Segundo a polícia americana, vários pertences de Sabóia sumiram do quarto, após o crime, entre eles um anel de ouro com rubis, um relógio da marca Rolex, um Piaget, entre R$ 25 e R$ 30 mil, um chaveiro, a passagem e o passaporte da vítima.
O ministro Renan Calheiros enviou o documento que recebeu da polícia nova-iorquina para a Justiça Federal no Rio Grande do Sul, onde deverá ser realizado o julgamento. O ministro disse que vai fazer de tudo para que Scherer seja julgado o mais rápido possível. Segundo o documento que a polícia de Nova York enviou hoje, uma espécie de notícia-crime, o corpo de Sabóia foi encontrado dia 13 de março, às 17h45, pelos seguranças do Waldorf Astoria.
O crime teria ocorrido no dia anterior. O relatório foi redigido pelo oficial comandante George Pagan. O documento foi enviado primeiramente à Interpol nos Estados Unidos, que o enviou à Polícia Federal no Brasil. O relatório diz que há "robustas provas" para mostrar que Scherer matou João Sabóia. Scherer, segundo o relatório.
O documento diz ainda que a polícia americana encontrou fragmentos de pêlos pubianos, "fluídos corporais" e sangue que supostamente pertenceriam ao assassino. Os exames de DNA, segundo o próprio relatório, será finalizado em 50 dias. A polícia também realiza exame de sêmen que foi encontrado no quarto. A polícia de Nova York também pediu a realização de exame de impressões digitais. A Polícia Federal já enviou material para os Estados Unidos, permitindo a realização dos exames.
No relatório, Scherer é citado como "principal" e "único suspeito" da morte do empresário João Sabóia. Este é o segundo documento que a polícia de Nova York envia ao Brasil. Na semana passada, foi enviado pedido para que o governo brasileiro encontrasse Scherer. O próprio acusado se entregou na Justiça Federal do Rio Grande do Sul, foi preso e libertado por habeas corpus.
A Secretaria de Justiça do Ministério da Justiça aguarda a fita de vídeo onde aparece o suposto assassino saindo do quarto onde estava o corpo de João Sabóia, para entregar o material à Justiça Federal. A fita deverá ser enviada dos EUA para o Brasil pela promotora do caso nos Estados Unidos, Joan K. Illuzzi-Orbon.
O ministro Renan Calheiros disse hoje que enviaria o mais rápido possível a documentação que veio de Nova York para a Justiça Federal, no Rio Grande do Sul. O caso deverá ser analisado pela juíza Cláudia Maria Dadico. A interpretação do Ministério da Justiça é que a juíza pode, com os documentos em mãos, pedir a prisão de Scherer. Renan Calheiros disse que vai fazer de tudo para que o julgamento ocorra o mais rápido possível. "Vamos fazer tudo de maneira rápida, para permitir que se faça Justiça", disse o ministro.
Renan Calheiros disse ainda que a Constituição brasileira não permite a extradição de brasileiros, mas que isto não significa que as pessoas que cometem crimes no exterior possam transitar livremente pelo País. "Não vamos permitir que a não extradição implique em impunidade", disse o ministro. A expectativa do Ministério da Justiça é que o julgamento de Scherer seja iniciado antes da chegada das provas definitivas de Nova York.





