Polícia de Campinas prende corretor que vendia celular clonado
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quarta-feira, 17 de novembro de 1999
Por Clayton Levy 
Campinas, SP, 17 (AE) - A Polícia Civil de Campinas (SP) prendeu hoje o corretor José Márcio Turola, acusado de vender linhas de celulares clonados. A CPI do Narcotráfico acredita que a identificação dos compradores de dois celulares clonados por Turola possa levar aos autores do furto de 340 quilos de cocaína que estavam guardados no Instituto Médico Legal da cidade. Em seis meses de investigação, a polícia descobriu que os compradores das linhas clonadas mantiveram intensa comunicação na área do IML no dia e horário do desparecimento da droga.
"Se descobrirmos quem são os compradores dessas linhas, poderemos identificar os responsáveis pelo furto da cocaína", disse o delegado seccional, Josué Ferreira Ribeiro. O corretor, porém, disse que não se lembra para quem vendeu os celulares clonados. "Essa prática é muito comum na cidade toda", disse o acusado.
Turola revelou que cada linha era vendida por um preço que variava entre R$ 100,00 e R$ 200,00. Em sua casa, no Jardim São Fernando, considerado um dos maiores pontos de tráfico de drogas da cidade, a polícia apreendeu 29 telefones celulares, duas granadas, uma metralhadora, munição e um colete à prova de balas. Ele foi indiciado por guarda ilegal de arma de fogo, mas alega que o material foi deixado em sua casa por um primo chamado Marcelo Magalhães Leal, assaltante de bancos procurado pela polícia.
Turola contou que fazia as clonagens utilizando linhas desativadas por falta de pagamento. Ele disse que vendeu cerca de apenas 20 linhas, mas a polícia suspeita que esse número seja bem maior. Um relatório da Telesp Celular, enviado à Delegacia Seccional, informa que atualmente existem cerca de mil linhas desativadas na cidade por falta de pagamento.
As investigações revelaram que no dia 31 de janeiro desse ano, quando a droga desapareceu do IML, foram registrados 150 mil ligações por meio de celulares na cidade. A polícia fez um rastreamento e descobriu que no horário presumível do furto, entre as 17 horas e 22 horas, duas linhas clonadas se comunicaram entre si por várias vezes, na área onde está o prédio do IML. Segundo o delegado, isso foi possível porque o registro das ligações fornecidas pela Telesp Celular aponta a localização das antenas que servem para a comunicação.
Para tentar descobrir os compradores dos dois telefones, a polícia grampeou a linha telefônica do corretor. Em seis meses de investigação, foram gravadas 26 fitas com pelo menos 30 horas de conversa. O material, segundo o delegado, foi enviado para o Departamento de Fonética Forense da Universidade Estadual de Campinas, onde está sendo periciado.
"Nossa intenção era continuar com as escutas telefônicas, mas a chegada da CPI à cidade nos obrigou a antecipar a prisão do acusado", disse o delegado. Para ele, as fitas que estão sendo examinadas podem trazer a chave que levará aos responsáveis pelo desaparecimento da droga.


