Campinas - A polícia apreendeu, ontem, amostras de sangue, fezes, urina e vômito no hospital onde a família envenenada por arsênico em Campinas, a 90 quilômetros de São Paulo, foi atendida. O material foi encaminhado para análise no Instituto Médico Legal (IML) de São Paulo. O delegado responsável pelo caso, Cláudio de Alvarenga Freire, não descartou ontem que a única sobrevivente da família, a adolescente de 15 anos, seja submetida a novos exames. Os médicos do hospital Madre Theodora, onde a família foi internada, deverão ser ouvidos hoje pelo delegado para esclarecer detalhes do atendimento.
O Instituto de Criminalística confirmou hoje o resultado do exame toxicológico que aponta arsênico no organismo dos três mortos. O delegado esclareceu, porém, que somente hoje deverá receber o laudo necroscópico do IML de Campinas, inclusive o resultado do exame toxicológico.
O médico homeopata Hudson da Silva Carvalho, a mulher dele Thelma Migueis e a filha mais velha, de 17 anos, morreram por envenenamento no final do mês passado. A filha mais nova também foi internada, mas sobreviveu.
Um laudo do Instituto Adolfo Lutz feito na urina das duas filhas indicou a presença do veneno.
O delegado acrescentou que marcou para amanhã o depoimento do irmão do homeopata. Mas ele poderá adiá-lo para a próxima semana porque sua mãe, Josefina da Silva Carvalho, de 85 anos, morreu no domingo, no Instituto do Coração, em São Paulo, onde havia sido internada antes da morte do filho. O irmão do médico mora no Rio de Janeiro e hospedou a adolescente de 15 anos quando ela fugiu de casa por três dias, em outubro passado. Quando retornou para casa, foi mantida em castigo, trancada no quarto e sem ir à escola, por pelo menos 20 dias.

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