Maceió, 30 (AE) - Começou hoje à noite e prossegue até amanhã (01) pela manhã a reconstituição das mortes do empresário Paulo César Farias, o PC, e da namorada dele, Suzana Marcolino, ocorridas em 23 de junho de 1996. O trabalho está sendo realizado por peritos do Departamento de Polícia Científica da Secretaria de Segurança Pública de Alagoas, sob o comando dos delegados Antônio Carlos Azevedo Lessa e Alcides Andrade, que estão à frente das novas investigações sobre o caso.
A reconstituição tem como objetivo resgatar a movimentação que aconteceu antes e depois de encontrados os corpos. Para o promotor Luiz Vasconcelos, que acompanha o trabalho, será uma oportunidade de para dirimir dúvidas. Além da participação dos seguranças e demais empregados que estavam na casa no dia do crime, a polícia irá contar com quatro atores, que farão os papéis de PC, Suzana, do deputado federal Augusto Farias (PFL-AL) e da mulher dele, que jantaram na casa no dia das mortes.
Os depoimentos dos delegados Cícero Torres - presidente do primeiro inquérito - e Antônio Monteiro, que o auxiliou, bem como dos peritos Nivaldo Cantuária, Horácio Brasileiro, Anita Gusmão e do legista Gerson Odilon, foram encerradas com muitas contradições. Os novos delegados querem identificar um vizinho de PC, que teria visto o corpo do empresário sendo arrastado da praia para dentro da casa, em Guaxuma (litoral norte de Maceió), local onde foi encontrado ao lado do da namorada.
Participam da reconstituição o cabo Reinaldo Correia de Lima, os soldados Amilton da Costa e Josimar Faustino dos Santos
todos da Polícia Militar de Alagoas, que trabalhavam como seguranças de PC, além do garçon Genival da Silva Carvalho. O delegado Antônio Carlos desmentiu a notícia de que iria pedir a exumação do corpo de Suzana, para dirimir as dúvidas sobre a altura dela.
"No momento, a exumação está descartada", disse o delegado.
O delegado explicou que as dúvidas encontradas no primeiro inquérito são sobre a violação do telefone de Suzana, a retirada da bolsa dela do local original, a falta dos exames para detectar impressões digitais nas mãos dos seguranças e, principalmente, por onde os peritos alagoanos entraram na residência. "São pontos obscuros que estamos procurando esclarecer", disse Antônio Carlos.
Domingo (02), os dois delegados e o promotor Luiz Vasconcelos viajam para São Paulo para colher o depoimento do legista da Unicamp, Fortunato Badan Palhares. A principal dúvida que os delegados querem esclarecer é quanto à altura de Suzana, se 1m67, como atesta o laudo de Palhares, ou 1m58 como afirma a irmã da namorada de PC. Os delegados retornam na quinta-feira (06) e começam a ouvir os depoimentos dos militares que trabalhavam como seguranças do empresário.

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