BRASÍLIA - A polícia do Distrito Federal deu um tratamento especial para os quatro rapazes acusados de matar o índio Galdino Jesus dos Santos, queimando-o vivo enquanto ele dormia na madrugada do domingo. Os acusados passaram a noite em uma sala da Coordenação de Polícia Especializada (CPE), da Polícia Civil e, para garantir sua segurança, foram transferidos no início do tarde de ontem para o Núcleo de Custódia da Penitenciária da Papuda, no Distrito Federal. ‘‘Temos que dar segurança para essa garotada’’, explicou o delegado Teodoro Rodrigues, diretor-geral da Polícia Civil do DF.
Na CPE, onde existem apenas 140 vagas, estão 310 presos. ‘‘Tem criminoso ali dentro que adoraria pegar um garoto desses e trucidar’’, explicou Rodrigues. Segundo o delegado, a CPE não é cadeia e sim um ‘‘quebra galho da Justiça’’, onde só ficam retidos os presos perigosos e condenados, à espera de uma vaga em presídio. ‘‘Esses garotos são primários, sem antecedentes e têm residência fixa’’, lembrou. ‘‘Eles não podem pagar por serem filhos de algum fulano’’, disse.
Os quatro rapazes passaram a noite em uma sala utilizada para o reconhecimento de presos e para onde são mandadas as presas que vão para o CPE. A sala, de 3 metros quadrados, tem grades nas janelas e ventilação, mas não têm instalação sanitária. Foi colocada uma garrafa de refrigerante para que eles pudessem urinar. Segundo policiais, os rapazes receberam colchonetes e cobertores dos familiares e passaram a noite dormindo.
Também receberam o café da manhã normal dos detentos (café com leite e pão com manteiga), passaram a manhã conversando e só receberam a visita do advogado Rommel Pereira Corrêa. O delegado Silvério Antônio Moita de Andrade, diretor da divisão de administração da CPE, contou que a idéia inicial era colocar os rapazes em celas comuns, mas desistiu em função da recepção dada pelos outros detentos. ‘‘Olha aí os filhinhos de juiz, botem eles aqui na cela com a gente’’, gritaram os presos.
Os presos se referiam principalmente a Antônio Novely Vilanova, de 19 anos, filho do juiz federal da 7ª Vara Federal do Distrito Federal, Novely Vilanova da Silva Reis. Durante a transferência para a nova detenção, os rapazes saíram em silêncio, com a cabeça baixa ou escondendo o rosto com camisas. Apenas Max Rogério Alves, também de 19 anos, enteado do ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Valter Medeiros, disse alguma coisa. ‘‘Estou muito arrependido’’, afirmou em tom de irritação e com a cabeça coberta pela camiseta. Foram também transferidos Thomas Oliveira Andrade, 19 anos, e Eron Clóvis Oliveira, de 18 anos. O menor G.N.A., de 16 anos, permanece no Centro de Atendimento Juvenil Especializado (Caje).

mockup