Polícia da Bahia desafia governo e mantém greve
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sexta-feira, 06 de julho de 2001
Das agênciasDe Salvador, BA 
Em seu primeiro dia de greve, policiais civis e militares da Bahia desafiaram a determinação do governo e não foram às ruas ontem em Salvador, a terceira maior cidade do País. O comando da PM recorreu à tropa de choque para efetuar a patrulha em pontos estratégicos, como áreas próximas aos bancos e o centro histórico de Salvador. Em todas as delegacias da capital baiana, apenas as ocorrências mais graves foram registradas. Os postos policiais, a maioria instalados na periferia, também não funcionaram.
A categoria reivindica piso salarial de R$ 1.200, a reintegração de 68 policiais que foram exonerados e a libertação de dois líderes do movimento, o tenente Ewerton Uzeda e o sargento Isidório Santana, presos há oito dias. O governo oferece um reajuste de 14%.
Na Bahia, o salário médio de um PM que trabalha na rua é de R$ 450. Um policial civil recebe R$ 600. Nos dois valores estão incluídas as gratificações.
Ontem pela manhã, os líderes do movimento pediram ao cardeal primaz do Brasil, dom Geraldo Majela Agnello, ajuda para intermediar a crise com o governo. À tarde, o comando de greve encaminhou ao governador César Borges (PFL) uma proposta para interromper o movimento. Pela proposta, o governo deveria readmitir os 68 policiais excluídos da corporação e libertar imediatamente os dois líderes do movimento. Até as 18 horas, o governador ainda não tinha dado resposta às solicitações.
Em todo o Estado, existem 28 mil policiais - 24.400 militares e 3.600 civis. O movimento grevista estima em 95% a adesão de policiais civis.
Em Pernambuco, os policiais civis estão em greve desde terça-feira. Eles reivindicam 28% de aumento e reajuste do salário base para R$ 180,00. Com as gratificações, o menor salário da categoria é de R$ 529,00 e passaria para aproximadamente R$ 700,00 com o reajuste solicitado.


