Recife, 20 (AE) - A Polícia da Aeronáutica instaurou hoje Inquérito Policial Militar para investigar o transporte de 32,960 quilos de cocaína em um avião Hércules C-130 da Força Aérea Brasileira. A aeronave, do 1º Esquadrão do 1º Grupo de Aviação, com sede no Aeroporto do Galeão, no Rio, era procedente daquela cidade e tinha como destino Palma de Mallorca, na Espanha.
A cocaína tem 98,96% de grau de pureza, de acordo com análise da Polícia Federal de Pernambuco (PF-PE), e foi avaliada em US$ 3 milhões a preço final de mercado. A droga foi apreendida durante escala técnica na Báse Aérea do Recife, na madrugada de ontem. Ela estava guardada em duas malas de cor azul marinho, coberta apenas com algodão para fazer volume. Não houve a menor preocupação em disfarçar o conteúdo da bagagem.
Distribuída em 30 pacotes, a cocaína estava embalada em borracha e em um papel adesivo ilustrado com personagens de Walt Disney. Segundo o assessor de imprensa da PF-PE, Jayme Liélson, a ilustração identifica o cartel ao qual pertencia o lote da droga, provavelmente ao de Cáli, na Colômbia. A Base Aérea do Recife e o II Comandio Aéreo Regional (II Comar) deram poucas - e às vezes desencontradas - informações sobre o assunto.
O número de tripulantes do avião, por exemplo, ainda não havia sido informado oficialmente até o final da tarde de hoje. O número inicial, de 9 tripulantes, terminou sendo reduzido para cinco - dois oficiais e três sargentos - mas à espera de confirmação. O único nome divulgado, pela Polícia Federal, foi o do comandate da tripulação, o major Hita.
Todos foram ouvidos hoje pela Polícia da Aeronáutica. Em nota oficial, o Ministério da Aeronáutica diz que os tripulantes não estão presos nem detidos na Base Aérea do Recife, onde permaneceram "para prestar informações que pudessem contribuir para os trabalhos da investigação".
O avião está retido no local. A versão oficial é de que o vôo interceptado no Recife iria comprar suprimentos e peças em Palma de Mallorca. Jayme Liélson afirmou não haver investigações nem revistas rotineiras em aeronaves da Aeronáutica, porque isso não compete à PF.
A Polícia Federal trabalha em conjunto com o Ministério da Aeronáutica na investigação de tráfico internacional de droga em aviões da FAB. Uma equipe de três policiais federais de Brasília, sob o comando do delegado Getúlio Pereira, se encontra no Recife desde o domingo. Mas a PF está apenas dando suporte na apuração das responsabilidades e da autoria do transporte da cocaína. Jayme Liélson explicou que a Polícia Federal não autuou o flagrante da apreensão porque crimes militares fogem à sua competência.
O Hércules C-130 aterrisou na Base Aérea do Recife na noite de domingo para escala técnica. Mas a apreensão só foi feita na madrugada de ontem, pouco antes da decolagem para a Espanha, de acordo com Liélson, para que ficasse configurado tráfico internacional.
A cocaína foi levada à sede da Polícia Federal para análise. Hoje ela foi devolvida ao presidente do IPM. "Quem pariu Mateus, que embale", disse o assessor de imprensa da PF-PE ao dar a informação.

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