Polícia criará equipes especiais para investigar chacinas
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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2000
Por GABRIELA CARELLI 
São Paulo, 17 (AE) - A Polícia Civil vai anunciar, segunda-feira, a criação de equipes especiais para investigar as chacinas na capital e Grande São Paulo. A iniciativa, inédita, foi motivada pelo crescimento contínuo dos homicídios múltiplos, explicou o diretor do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoas (DHPP), Marco Antônio de Paula Santos.
O delegado adiantou a criação das equipes durante sua explanação em reunião da Comissão de Direitos Humanos da Assesmbléia Legislativa, hoje, para discutir o problema das chacinas. Também participaram do encontro o deputado Renato Simões (PT) e o ouvidor da Polícia de São Paulo, Benedito Domingos Mariano.
Até hoje, o DHPP só havia criado uma coordenadoria para concentrar os dados estatísticos dos homicídios múltiplos. Não havia um grupo para investigação específica de chacinas. O diretor do departamento disse já ter escolhido dois nomes para dirigir as equipes, que serão anunciados na próxima semana.
Para o deputado Simões, a impunidade é o que alimenta esse tipo de crime. No ano passado, foram registradas 89 chacinas, com 309 mortos. Só este ano foram 15 chacinas, com 50 mortos.
O ouvidor Mariano criticou a atuação da polícia. "A corporação é ineficiente para atuar contra o grande traficante, só age na esfera mais baixa do tráfico, onde estão os passadores e os usuários", disse. "Na minha opinião, está na hora de dar tolerância zero aos grandes traficantes."
Ele apontou dois outros meios para diminuir a curto prazo o índice de matanças: presença permanente da polícia na periferia e criação de um órgão de inteligência na Polícia Civil.
A CPI do Narcotráfico estadual reuniu-se hoje e anunciou a criação de quatro relatorias para tornar os trabalhos mais rápidos.
Segundo o presidente, deputado Dimas Ramalho (PPS), haverá um grupo específico para estudar a atuação do narcotráfico no Porto de Santos, presidido pelo deputado Cabo Wilson (PSDB); outro para os aeroportos e pistas de pouso no Estado, sob responsabilidade do deputado Renato Simões (PT); um para estudar as fugas e transferências de traficantes das penitenciárias, sob comando da deputada Rosmary Correa (PMDB) e, por último, um para as rotas terrestres, que ficará com o deputado Celso Tanauí (PTB).


