Maria Tereza Boccardi
De Foz do Iguaçu
Especial para a Folha
A polícia paraguaia acredita que o xeque (sacerdote da religião muçulmana) Zaid Fahs, 39 anos, baleado com dois tiros na noite do último sábado, em Ciudad del Este, tenha sido vítima de um atentado. O principal argumento dessa hipótese é que a Mercedes-Benz vermelha que Fahs dirigia e seus pertences não foram roubados.
Hoje, o líder religioso vai passar por uma cirurgia para a retirada de um dos projéteis, que se alojou na altura do queixo. Ele está internado desde a madrugada de domingo no Hospital Costa Cavalcanti, em Foz do Iguaçu. Fahs foi atingido por dois tiros no ouvido direito. Um dos projéteis se desviou e alojou-se próximo ao queixo. O outro saiu na altura da garganta.
A Folha apurou que o xeque não corre risco de vida, está consciente e se comunica por bilhetes que escreve. Para facilitar a respiração, os médicos abriram um orifício na traquéia. As balas não atingiram nenhuma região vital do cérebro.
Integrantes da comunidade árabe faziam ontem vigília em frente ao hospital. De acordo com estimativas, há cerca de 13 mil árabes e descendentes na Tríplice Fronteira (Brasil, Paraguai e Argentina).
Segundo a Polícia Nacional paraguaia, o atentado ocorreu por volta das 22 horas de sábado, quando Fahs parou em um sinal de trânsito vermelho, no centro de Ciudad del Este. No sinal, ele foi abordado por dois homens ainda não identificados, que o obrigaram a seguir até um local da periferia. Nesse local, os homens fizeram os disparos e fugiram, imaginando que ele já estivesse morto.
Depois, Fahs teria recobrado a consciência e, mesmo ferido, seguido até a casa do patrício Ali Alsaid, que mora em Presidente Franco (município vizinho a Ciudad del Este). Quando o xeque chegou em frente da casa, teria acionado a buzina com insistência, até que Alsaid acordou e o socorreu.
O investigador Juan Fernandes, que apura o caso, disse que a história está cheia de mistérios. Ele questiona como o xeque conseguiu dirigir depois de ser ferido gravemente. Outros dois detalhes também chamaram a atenção da polícia: no carro não há marcas de tiros e apresenta apenas uma pequena mancha de sangue.
A ‘Folha’ apurou que membros da comunidade árabe suspeitam que o atentado possa ter ligação com o Mossad (polícia secreta israelense). Em setembro do ano passado, a mesquita, que atualmente é dirigida pelo xeque, foi investigada sob a suspeita de manter ligações com grupos internacionais do terrorismo islâmico.

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