Polícia continua sem pista do assassino de pai de ex-namorada de PC
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sábado, 20 de março de 1999
Por Ricardo Rodrigues (especial para a AE) 
Maceió, 21 (AE) - A polícia ainda está sem pistas dos assassinos do ex-prefeito de Batalha José Rodrigues Dantas, de 57 anos, irmão do deputado federal Luiz Dantas (PSD) e pai da modelo Claudia Dantas - ex-namorada do empresário Paulo Cesar Farias, o PC. Zé Miguel, como era conhcido no Sertão alagoano, foi metralhado com a mulher, Matilde Toscano, na madrugada de sexta-feira (19), em Jaramataia, a 190 quilometros de Maceió.
"Estamos checando várias hipóteses para o crime, mas ainda não temos uma linha objetiva a seguir", afirmou o diretor do Departamento de Polícia do Interior, delegado Robervaldo Davino. Segundo ele, a família Dantas aponta como suspeito do duplo assassinato um foragido da polícia, conhecido por Laércio "Boiadeiro", que era inimigo político e pessoal de Zé Miguel. Os dois teriam desentendido-se diversas vezes e trocado ameaças de morte.
O secretário estadual de Justiça, Rubens Quintela, delegado aposentado e por duas vezes secretário de Segurança de Alagoas, também sustenta essa versão como a mais provável, embora reconheça que o crime é de difícil elucidação. Segundo Quintela, a desavença entre Zé Miguel e Laércio "Boiadeiro" era antiga e quase chegou a um confronto na última campanha eleitoral. "Por pouco, os dois não chegam às vias de fato", comentou Quintela.
Laércio "Boiadeiro" tem prisão preventiva decretada há mais de dois anos, acusado de ser o mandante da morte do advogado Rui Miranda. Desde então, teria fugido, sem ser localizado pela polícia. Segundo os parentes de Zé Miguel, Boiadeiro jamais esteve ausente da região por mais de dois meses
sendo visto com frequência em Batalha, mas como a família dele é muito influente no município, nunca recebeu voz de prisão.
Zé Miguel, que foi por duas evzes prefeito de Batalha e se revezava no poder com a ex-mulher, Marlucia Dantas, era um dos "coronéis" mais temidos do sertão. Luiz Dantas reconheceu que esse crime será difícil de ser resolvido porque o irmão tinha muitos inimigos.
De 1998 para cá, ele escapou de dois atentados e entrou em atrito com vários políticos da região. Para o governador Ronaldo Lessa (PSB), a morte de Zé Miguel e da mulher dele foi mais uma chacina sob encomenda tramada pelo crime organizado. "O meu governo não compactua com matadores de aluguel e nem faz vista grossa para fomentarem a impunidade", afirmou Lessa, que determinou todo o empenho do aparelho de segurança do Estado na caça aos assassinos do ex-prefeito.
O secretário estadual de Segurança Pública, Edmilson Miranda, disse que deslocou mais de 30 homens para a região, sob o comando de Davino. "Há muitas linhas de investigação sendo desenvolvidas, mas ainda não prendemos ninguém", disse o secretário, contando com o apoio de agentes e do Serviço de Inteligência da Polícia Federal (PF) nessa operação.


