Polícia confronta informações de suspeito de matar Rachel Genofre
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quinta-feira, 24 de outubro de 2019
Reportagem local 

A PCPR (Polícia Civil do Paraná) interrogou Carlos Eduardo dos Santos, 52 anos, na terça-feira (22), em Curitiba, para confrontar informações dadas em depoimento com dados levantados durante investigação. Ele é o principal suspeito de estuprar e assassinar Rachel Genofre, de 9 anos, no dia 3 de novembro de 2008, e abandonar o corpo da vítima em uma mala, na Rodoferroviária da capital.
Ele já havia sido interrogado há cerca de um mês, no sistema prisional de Sorocaba. Segundo a delegada Camila Ceconello, de Curitiba, no novo interrogatório, o suspeito prestou informações diferentes das fornecidas no depoimento anterior. “Quando confrontado com as diligências realizadas por nós, ele mudou alguns detalhes relacionados a versão já apresentada. Principalmente quanto ao local em que ocorreu o crime. Essa nova versão está sendo investigada desde ontem e seguirão sendo investigadas”, completa.
Segundo o delegado Marcos Fontes, o crime não teria ocorrido na pensão localizada na Rua Alferes Polli, como afirmado pelo suspeito no primeiro interrogatório. “Durante as investigações, constatamos que ele esteve na pensão entre os dias 1º e 29 de setembro de 2008 e o crime aconteceu no dia 3 de novembro de 2008. Ele já não residia mais lá. Onde ele esteve nesse período é objeto de investigação nesse momento.”
Há suspeitas que o homem tenha residido no bairro Afonso Pena, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, quando deixou a pensão situada no centro da capital. “Pedimos auxílio da população para que possamos confirmar essa informação. Pessoas que residem na região, vizinhos, podem contribuir com as investigações”, disse o delegado.
O delegado Fontes relatou que no primeiro interrogatório o suspeito não demonstrou arrependimento e empatia pela vítima em momento algum. “Entretanto, no novo depoimento disse estar arrependido. Alegou ainda que teria optado por deixar o corpo de Rachel Genofre na rodoviária, pois queria ser encontrado e preso. Não acreditamos nessa versão. Acreditamos que esteja forjando mais uma personalidade, como se estivesse forjando algum distúrbio psíquico”, diz.
PREFERÊNCIA POR MENINAS
De acordo com Camila Ceconello, foi constatado, no curso das investigações, que o homem teria praticado ao menos seis estupros contra crianças com idades entre 4 e 14 anos, o que denota preferência por vítimas com o mesmo perfil de Rachel.
Além dos estupros, o suspeito teria praticado, em média, 17 crimes de estelionato e um de roubo, no qual teria se passado por um funcionário responsável por realizar reparos em residência.
A Polícia Civil do Paraná também traçou rotas percorridas pelo criminoso nos últimos anos. Foi concluído que o homem teria passado por ao menos 14 cidades, sendo do Paraná, Santa Catarina e São Paulo. Ainda há suspeitas que ele tenha residido em Minas Gerais, Bahia e Goiás.
No último mês a PCPR ouviu ex-companheiras, familiares, líderes religiosos e demais pessoas que tiveram convívio com o suspeito nos anos que antecederam e sucederam o crime contra Rachel.
NOVO EXAME
O diretor-geral da Polícia Científica, Leon Grupenmacher, informa que existe uma requisição para um novo exame psiquiátrico do suspeito. “Tomamos o cuidado de escalar dois psiquiatras forenses que não possuem envolvimento com laudos interiores. Será realizado um novo exame para identificar se há ou não distúrbio de personalidade por parte do suspeito”, finaliza.


