Polícia conclui inquérito sobre skinheads; 18 devem responder por homicídio e formação de quadrilha
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domingo, 13 de fevereiro de 2000
Por Marcelo Godoy 
São Paulo, 14 (AE) - A polícia concluiu hoje o inquérito sobre o assassinato do adestrador de cães Edson Neris da Silva, ocorrido na madrugada do dia 6, na Praça da República, centro de São Paulo. O relatório do inquérito aponta 18 skinheads como os responsáveis pelo assassinato e pela tentativa de homicídio contra o operador de Telemarketing Dario Pereira Netto, amigo de Silva. Pereira Netto conseguiu escapar do ataque dos carecas.
O delegado Jorge Carlos Carrasco, titular da 1.ª Delegacia Seccional, afirmou em seu relatório que os acusados formam uma quadrilha, pois foi provada a existência de "vínculo associativo permanente" entre os presos.
Dos 18 skinheads detidos em um bar da Rua 13 de Maio, na Bela Vista, um foi reconhecido por uma testemunha do crime. Vanderlei Cardoso de Sá, que não quis prestar depoimento à polícia, foi apontado pela testemunha C.A.B. como o homem que chutou a cabeça da vítima. Segundo a testemunha, o adestrador estava de mãos dadas com o amigo, o que teria motivado a ação dos skinheads.
"Caso surjam novas provas ou testemunhas, continuaremos a investigar a ação do grupo em autos apartados (separadamente do inquérito concluído)", disse o delegado. As últimas testemunhas ouvidas pela polícia foram os policiais militares que socorreram o adestrador. Eles disseram não ter visto nenhum dos agressores na praça.
Denúncia - O promotor Marcelo Milani informou que deverá entregar amanhã (15) a denúncia criminal contra os acusados ao juiz José Rui Borges Pereira. De acordo com Milani, os acusados deverão ser processados sob as acusações de triplo homicídio qualificado, tentativa de homicídio e formação de quadrilha. O assassinato será triplamente qualificado porque foi cometido sem que a vítima tivesse chance de defesa, de forma cruel (o espancamento até a morte) e pelo fato de a motivação ser considerada torpe.
Todos os acusados negaram-se a depor. Em entrevistas, os skinheads presos negaram o crime. Um deles, Onilmar Rocha de Queiroz, o único homem com cabelo, nega fazer parte do grupo e diz apenas conhecer alguns carecas. Ele diz ter-se encontrado com o grupo no Bexiga, após o crime ter ocorrido.


