Alexandre Sanches
De Londrina
Soldados da Polícia Militar iniciaram ontem, em Primeiro de Maio, o cumprimento da ação de despejo das famílias de dois agricultores locais, em ação de cumprimento solicitada pelo Citibank através da Contact Financeira de Araçatuba (SP). A ação, que era para ter sido cumprida na segunda-feira, está sendo realizada por dívidas contraídas junto à financeira em 1985 e que, de acordo com documentos apresentados na Justiça, não foram pagos. Os agricultores alegam ter sido vítimas do golpe da hipoteca.
A reintegração foi realizada ontem à tarde na casa de Jurandir Nascimento, irmão do agricultor Orlando Nascimento, réu nesta ação. Ele contraiu um financiamento junto à Contact em 1985 e a pagou. Porém, disse ter assinado vários documentos que financiaram a compra de tratores de esteira. Ele, porém, não viu o maquinário nem o dinheiro.
Além desta casa de Nascimento, fazem parte da ação a Fazenda São Marcos, de 58 alqueires, ocupada na terça-feira pelo MST, e a casa da mãe dele, no centro de Primeiro de Maio. Uma outra propriedade rural, em nome de Antônio Alves de Oliveira, também ocupada pelos sem-terra anteontem, faz parte da ação de despejo movida pelas mesmas empresas. Neste imóvel moram cinco famílias que prometem resistir à desocupação. Os sem-terra também estão reforçando os acampamentos para evitar que a polícia faça a reintegração das fazendas.
Os advogados dos agricultores tentaram negociar com a financeira e o Citibank, mas com a ocupação das fazendas pelos sem-terra não houve acordo. A expectativa da família é que hoje os policiais tentem desocupar a outra casa da família Nascimento e o sítio de Oliveira. A mãe do agricultor, Ilda Lavra do Nascimento, 77 anos, passou mal ontem durante a desocupação do outro imóvel. Porém, promete resistir à ação policial. Os móveis de Jurandir Nascimento foram levados para casas de vizinhos, pois na cidade não existe outro imóvel desocupado.

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