Polícia começa a ouvir acusados de espancar estudante em escola
Guarujá, SP, 25 (AE) - O delegado Maurício Barbosa Júnior, do 2º Distrito Policial de Vicente de Carvalho, na Baixada Santista, começou a ouvir hoje os garotos apontados como autores do espancamento do estudante Diego Gonçalves dos Santos, de 12 anos, que morreu na noite de domingo, em consequência da agressão sofrida durante uma brincadeira conhecida como "corredor polonês", dentro da própria escola em que estudava.
Diego foi agredido na manhã de quinta-feira e, mesmo sentindo fortes dores no corpo e na cabeça, tentou esconder do pai o espancamento, encarado como uma brincadeira normal entre os colegas da EEPSG Marechal do Ar Eduardo Gomes, que fica localizada ao lado da Base Aérea de Santos, em Vicente de Carvalho. Como as dores não passaram e o quadro de saúde do menino acabou agravando-se no final de semana, seus pais o internaram no Hospital Santo Amaro.
Ao tomar conhecimento, por intermédio de um colega de classe, que Diego havia participado da suposta brincadeira, Francisco Lourenço dos Santos Filho, pai do garoto, que estudava na 7ª série, registrou queixa de agressão no 2º DP, apontando o nome de quatro adolescentes envolvidos na ocorrência.
Quando Diego morreu, às 23 horas do domingo, foi registrado na delegacia-sede de Guarujá novo boletim de ocorrência para apuração da causa mortis. A necrópsia feita pelo Instituto Médico Legal do município revelou que o estudante morreu em consequência de traumatismo crânio-encefálico e hemorragia intracraniana, fato que deve complicar a situação dos eventuais agressores. Em depoimento prestado hoje ao delegado Barbosa Júnior, um dos acusados, um adolescente de 15 anos, afirmou que "houve um equívoco" na informação prestada ao pai de Diego.
De acordo com o estudante ouvido, ninguém teve intenção de agredir ou machucar Diego, pois a brincadeira não passou de um simples "empurra-empurra", comum até entre crianças menores. O rapaz contou ao delegado que depois do incidente Diego ainda brincou com todos eles e que cabeceou muitas vezes uma bola de handebol, que é bastante dura, relatando ainda que o fato foi presenciado pela classe inteira, durante a aula de Educação Física.
Em razão desse argumento, os 43 colegas de classe de Diego serão ouvidos, nos próximos dias, a fim de confirmar ou desmentir o depoimento dos acusados. A diretora do estabelecimento de ensino, Risalva Bezerra de Lima, que depôs na segunda-feira, dia em que o estudante foi enterrado, disse que é praticamente impossível conter esse tipo de brincadeira na escola. Os meninos costumam formar círculos e fazer perguntas a um deles que, quando não acerta, tem a cabeça jogada contra a parede por pelo menos três vezes.
Denúncia - A violência praticada contra o estudante foi denunciada pela deputada estadual Maria Lúcia Prandi (PT), na Assembléia Legislativa. Diante da sucessão de atos violentos registrados nas escolas da rede estadual, a parlamentar encaminhou ofício à secretária Rose Neubauer, exigindo a implantação imediata de um Programa Estadual de Combate à Violência nas Escolas.





