Polícia cobra provas de sindicalista
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sexta-feira, 21 de agosto de 1998
Anna Lee Agência Folha 
O delegado Celso Couto vai intimar o presidente do Sindmed (Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro), Luiz Tenório, a apresentar as provas que diz ter sobre a ligação do médico radiologista Sérgio Antônio Baptistella com a suposta máfia da saúde no Estado.
Baptistella é acusado pela Polícia Civil fluminense de ser o responsável por quatro assassinatos e três tentativas de homicídio, incluindo atentados ao diretor e ao chefe de setor do Hospital da Posse (Nova Iguaçu), João Ricardo Pilotto, que investigava o desvio de verbas na instituição.
As acusações são feitas com base em exames de balística que, com exceção do atentado contra o diretor do Hospital da Posse, demonstram que os tiros disparados nos crimes foram feitos por armas apreendidas com Baptistella.
O médico teria confessado a autoria do assassinato de seu substituto na chefia do setor de radiologia do Hospital da Posse, José Luiz Madrid, em 10 de dezembro de 1997, da radiologista Rosa Maria Pesce, em 23 de janeiro deste ano, e da médica Marilise Reis Dotto, no último 19 de junho, em São Gabriel (RS), onde ele está preso, respondendo a inquérito.
Além do atentado a Pilotto, Baptistella é acusado do atentado contra o cardiologista Paulo Roberto Vicente de Carvalho, baleado na noite de 16 de dezembro de 1997, e do atentado contra o casal Amaro José França de Oliveira e Alzira Pereira de Melo, seus sócios na empresa Serviço de Radiologia Silva Freire. Segundo a Polícia Civil, ele nega envolvimento nos atentados.
Tenório pretende, na terça-feira, entregar um dossiê à Procuradoria Geral da República, no qual, segundo ele, mostra que todas os médicos que foram mortos ou sofreram atentados entre setembro de 1997 e junho deste ano - período em que ocorreram os crimes pelos quais Baptistella é acusado - denunciaram fraudes no sistema de saúde do Estado.
Passei 12 horas ouvindo o Baptistella, e, pelo depoimento dele, não pude concluir que ele tem ligação com a máfia da saúde. Se o Tenório tem provas disso, deveria ter ajudado a polícia há muito tempo , disse Couto.


