A Polícia Civil de Cornélio Procópio (Norte Pioneiro) vai apurar se um homem de 55 anos tinha condições psicológicas de responder por seus atos por ter feito disparos de arma de fogo durante uma tentativa de internação, na manhã de sábado (14). Ao saber da intenção da família, ele teria entrado em surto e se trancou no apartamento, na região central da cidade, ameaçou disparar contra policiais e enfermeiros e só foi rendido 13 horas após o início dos fatos.

A PM foi chamada por familiares do homem, com a informação de que ele apresentava alteração no estado psicológico e estaria sob efeito de álcool e drogas ilícitas. Durante o atendimento, policiais ouviram disparos dentro do apartamento e ameaças contra pessoas envolvidas na ocorrência. Diante do risco, equipes do 18º BPM (Batalhão da PM) e da Companhia de Choque do 5º BPM iniciaram o atendimento e acionaram o Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais), que deslocou policiais especializados em gerenciamento de crises e negociação de Curitiba a Cornélio.

Ao longo do atendimento, os policiais mantiveram contato com o homem e aplicaram técnicas de negociação para conduzir a situação de forma segura. Somente à noite, ele foi rendido com o uso de taser (arma não letal de eletrificação) e foi retirado do imóvel sem ferimentos. O homem foi encaminhado para atendimento médico.

Dentro do apartamento, policiais localizaram duas pistolas calibre 9mm, uma carabina calibre 357 e outra de calibre 22 e uma espingarda calibre 12, além de mais de mil munições para as armas, todas devidamente registradas.

Imagem ilustrativa da imagem Polícia Civil vai apurar condições psicológicas de autor de ameaças
| Foto: Divulgação/PMPR

O delegado da 11ª SDP (Subdivisão da Polícia Civil), Adriano Diogo Coelho, instaurou inquérito para apurar as circunstâncias dos disparos efetuados pelo homem e se ele estava imputável durante a ocorrência. Ele não foi detido em flagrante justamente porque foi encaminhado para internação psiquiátrica, que teria motivado o surto.

“Ele deu dois ou três tiros dentro do apartamento, então existe a ocorrência de disparo de arma de fogo em local habitado. Mas, não foi preso em flagrante por estar em aparente surto psicótico e já havia esquipe para fazer a internação após a solução. Então, também vamos apurar se ele tinha alguma doença mental, que pode ser agravada pelo uso de álcool e droga, e avaliar se ele tinha capacidade de compreender que cometeu um crime”, explica o delegado.

O inquérito tem prazo de 30 dias para ser concluído. Coelho disse que deve pedir exame de sanidade mental para verificar se ele pode ser responsabilizado pelos atos ou se outra medida será tomada em razão de possível inimputabilidade.

Essa foi a segunda vez na semana que o Bope precisou intervir em situação semelhante na Região Norte do Estado. Na terça-feira passada (11), um homem fez dois idosos reféns ao entrar em surto pelo mesmo motivo em um condomínio residencial na zona sul de Londrina. Após mais de 12 horas de negociação, policiais conseguiram entrar no apartamento para tentar rendê-lo, mas ele morreu após ser atingido por um disparo imobilizador de taser.

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