Polícia Civil faz coleta de armas nas casas
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segunda-feira, 26 de julho de 2004
Das agências 
O advogado aposentado Luiz Gonzaga Pereira, de 80 anos, vestiu terno para aguardar, na manhã de ontem, a chegada da polícia ao seu apartamento, em Copacabana, zona sul do Rio. Ele marcou a visita na semana passada para entregar às autoridades um revólver calibre 38 que mantinha desde 1988. Pela primeira vez, policiais foram a uma residência receber a arma de um cidadão que adere à campanha do desarmamento. A Polícia Civil do Rio pretende utilizar esse expediente para aumentar o número de armas entregues voluntariamente. Assim como o advogado, muita gente teme transportar armas até as delegacias.
''Com o movimento nacional pelo desarmamento, senti-me obrigado a entregá-la o mais rápido possível. Para mim é um gesto muito natural'', disse o advogado, ao passar o revólver às mãos do diretor da Divisão de Fiscalização de Armas e Explosivos (DFAE), delegado André Carlos da Silva. Ele foi ao apartamento com dois agentes porque o advogado não se sentia seguro para transportar a arma nem mesmo até à delegacia de Copacabana, que fica a poucos quarteirões.
''A decisão de chamar a polícia em casa foi compartilhada com a mulher, Edda Bellotti, de 76 anos. ''Corremos riscos em todo lugar, até dentro de casa. Queria que um policial me acompanhasse. Pensei até em embrulhar como se fosse um presente, mas entregar em casa é mais prático e seguro. A campanha é excelente'', elogiou Pereira, que assinou um documento de entrega voluntária e receberá um prêmio de R$ 100.
O advogado contou que comprou o revólver há 16 anos numa loja de armamentos, que se encarregou de legalizá-la, para proteger a família num sítio que tinha em Teresópolis, na região serrana do Estado. ''Era um lugar isolado, achei importante. Mas nunca precisei usar'', justificou o advogado, que tinha receio de manter uma arma perto dos filhos. ''Sempre pensei num acidente, por isso ela ficava bem escondida na biblioteca. Sinto-me, de alguma forma, aliviado''.
Desde a semana passada, quando a lei estadual que prevê recompensas de até R$ 1 mil foi regulamentada, pelo menos 80 armas foram entregues nas delegacias do Estado. Com a possibilidade de a polícia buscá-las em residências, mais de 50 pessoas já agendaram a visita. Quatro equipes da DFAE foram destacadas para o trabalho e arrecadaram ontem outras dez armas.
Movimento- Com a entrega de 1.300 armas por um colecionador, na última sexta-feira, São Paulo assumiu a dianteira da campanha nacional de desarmamento, totalizando 2.194 unidades recolhidas até agora. Em seguida, vêm Minas Gerais (1.700) e Pernambuco (1.642). Em todo o País, a Polícia Federal já recolheu 12.100 armas.
O Diário Oficial da União (DOU) publicou ontem portaria do diretor-geral da PF, Paulo Lacerda, permitindo o credenciamento de instituições militares e de segurança pública para ajudar no desarmamento da população. Com isso, o governo espera expandir para todos os municípios brasileiros, a partir de agosto, a rede de coleta de armas, em eventos que terão também a participação de organizações não-governamentais (ongs), igrejas e entidades civis em geral.


