Imagem ilustrativa da imagem Polícia Civil deixa guarda de presos em Londrina
| Foto: Gustavo Carneiro



Desde o último sábado (1º), a Polícia Civil deixou a guarda de presos em Londrina. A custódia dos detentos do 3º e 4º departamentos penitenciários estão sob a responsabilidade do Depen (Departamento Penitenciário) a partir desta segunda-feira (3). Conforme o delegado-chefe da 10ª SDP (Subdivisão Policial), Osmir Ferreira Neves Júnior, até a última sexta-feira (31), eram cerca de 70 detentas, no 3º DP e cem presos no 4ª DP. No 5º DP, a carceragem está desativada.

"A Polícia Civil vai ficar com os presos somente dos flagrantes até o encaminhamento ao Depen. Os detidos só ficam no âmbito da Polícia Civil o tempo necessário para os atos de polícia judiciária - seja no cumprimento de mandado, seja flagrante", explica o delegado.

Com a gestão plena do Depen, cerca de 30 investigadores, que se revezavam em quatro equipes de plantões, passam a atuar em atividades administrativas e investigatórias próprias da Polícia Civil. "A medida retira os policiais que estavam trabalhando ilegalmente no trato diário com os presos e também acaba por viabilizar um remanejamento de um número considerável de policiais", diz o delegado. "Via de regra, esses investigadores vão atuar na Central de Flagrantes, no atendimento à população, o que proporcionará maior celeridade e qualidade no atendimento", acrescenta.

Além disso, conforme Neves Júnior, a retirada da guarda desses presos viabiliza que a população não tenha contato direto com os detidos, "o que causava constrangimento aos cidadãos e era uma reclamação constante".

"Essa mudança não aconteceu da noite para o dia. Houve uma série de tratativas administrativas para chegar a esse momento, que é histórico. Para se ter uma ideia, um policial que está há 20 anos na corporação trabalha todo esse tempo na custódia de presos de forma absolutamente irregular, sem qualquer tipo de treinamento", comenta.

Entre os projetos que a Polícia Civil pretende implantar, estão: atendimentos específicos a mulheres vítimas de violência doméstica e crianças e adolescentes em situação de risco. "O principal é que essa mudança vem a fortalecer a instituição Polícia Civil e incentivar os investigadores que há tempos estavam em desvio de função cuidando de presos", completa o delegado adjunto, Manoel Pelisson.

Conforme os delegados, as demandas que forem surgindo no decorrer deste período serão ajustadas conforme forem aparecendo. "A intenção é que seja o mais breve possível. Queremos que a delegacia seja um local de promoção da cidadania."

O presidente do Sindipol (Sindicato dos Policiais Civis de Londrina e Região), Michel Franco, destaca que a transferência de gestão dos presos é uma conquista do trabalho conjunto entre o Sindipol, a VEP (Vara de Execuções Penais) e a 10ª SDP. "Era uma situação que colocava risco à população de Londrina que, quando ia à delegacia, além de não encontrar resposta à sua demanda, corria risco de morte e à integridade física, pois os policiais estavam em desvio de função cuidando de presos, que era uma ilegalidade", ressalta.

Em contato com a assessoria de imprensa, o Depen informou que não vai se manifestar sobre o assunto até a regularização da parte burocrática.

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