Polícia Civil de São José dos Campos reconstitui assassinato
PUBLICAÇÃO
domingo, 23 de maio de 1999
Por Júlio Ottoboni 
São José dos Campos, SP, 24 (AE) - A Polícia Civil de São José dos Campos, no Vale do Paraíba (SP), fez hoje a reconstituição do assassinato da estudante Regiane Maria de Souza, de 17 anos. Ela foi morta na madrugada de sexta-feira (21), atingida por uma bala perdida, disparada numa briga no Vale Rodeio Show. O tiroteio teria acontecido depois que o cantor sertanejo Luciano, irmão de Zezé di Camargo, incitou o público a invadir a arena de apresentações. A família da jovem pretende acionar a dupla na Justiça pelo incidente.
Ao contrário do que o anunciado por Zezé di Camargo no programa "Domingo Legal", do Sistema Brasileiro de Televisão (SBT), apresentado por Augusto Liberato, a família da estudante não recebeu hoje qualquer contato ou visita de advogados da dupla. A polícia conseguiu reunir duas outras vítimas dos tiros na recomposição da cena do crime. Juliano Maurício Ferreira e Juliano Cardoso Leite estavam junto ao criminoso e foram feridos de raspão pela bala numa das mãos. Os dois, porém, não confirmaram que o cantor sertanejo teria incitado o público a invadir o local de apresentação.
A polícia confirmou que a briga aconteceu durante a invasão da arena. As investigações serão concentradas para esclarecer se o caso foi isolado ou a dupla teve algum tipo de responsabilidade. O advogado da família da estudante, José Renato Azevedo Luz, aguardará o resultado para estudar quais as medidas legais a serem adotadas. "Se existir relação entre o tumulto provocado pela incitação e o incidente, poderá estender-se a ação ao Luciano", comentou.
A direção do Vale Rodeio também poderá ser alvo de ações na Justiça, tanto por parte da família como do Ministério Público (MP). O advogado Luiz Carlos Paiva da Matta colheu vários documentos que mostram indícios de sonegação fiscal e previdenciária durante o evento. Além disso, um segurança e uma vaca de exposição que fugiu do recinto teriam sido atropelados na Via Dutra. "Toda essa documentação está sendo repassada à Promotoria Pública", afirmou. Os dirigentes da empresa não foram encontrados para falar sobre o assunto.


