Curitiba - Mesmo com o anúncio do governo estadual de um reajuste de 26% para a categoria, a Polícia Civil aprovou ontem, em assembleia realizada na Capital, o indicativo de greve. A classe resolveu se mobilizar por estar insatisfeita com a proposta e anunciou que, se em 48 horas o Estado não apresentar um novo reajuste, pode ser realizada uma paralisação geral.
''Tínhamos adiado uma mobilização marcada para o mês passado porque o governo pediu um novo prazo. Na reunião de terça-feira nada de novo foi apresentado. Além disso, os 26% anunciados ontem também não satisfazem as reivindicações da categoria'', disse o presidente do Sindicato das Classes Policiais Civis (Sinclapol), André Gutierrez.
''Foi um desrespeito com a categoria. Por isso decidimos pelo indicativo de greve. Faremos de tudo para que a população não seja prejudicada, mas temos que nos mobilizar'', completou.
O discurso é reforçado pelo presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Londrina e Região (Sindipol), Ademílson Alves Batista, que esteve ontem em Curitiba para acompanhar a assembleia. ''Este percentual não é um aumento real'', destacou. Ele acrescentou que a decisão tomada na Capital deve ser seguida na assembleia de hoje em Londrina.
PMs e bombeiros
Policiais militares e bombeiros participaram ontem de uma manifestação pela implantação do subsídio no Paraná e melhorias salariais para a classe. Eles realizaram uma carreata até o Palácio Iguaçu, sede do governo estadual e depois fizeram uma vigília com velas acesas para lembrar as reivindicações da categoria.
Mais cedo, após reuniões, o governo anunciou um aumento para a base da polícia militar de 17,5% de ganho real, mais a reposição da inflação, o que chegaria a 23,5%. Para a categoria, entretanto, a proposta não foi convincente. Para o coronel Elizeu Ferraz Furquim, presidente da Associação de Defesa dos Policiais Militares Ativos, Inativos e Pensionista (Amai), a reunião com o governo foi um fracasso. ''Os números apresentados são artificiais. Eles fizeram malabarismos para tentar nos convencer a aceitar a proposta, que na verdade, será ruim para a categoria. Com o reajuste de 23,5%, eles propuseram reduzir o teto para algumas hierarquias. É um absurdo'', destacou Furquim. Entretanto ele acredita que uma greve não deve acontecer. ''A hipótese de greve sempre existe, mas seria uma última cartada dos profissionais'', disse.
A proposta do governo (de reajuste de 23,5% para a PM e de 26% para a Polícia Civil) será encaminhada para a Assembleia Legislativa no dia 1º de março para ser implantada na folha de pagamento de maio. ''Fomos no limite do que era possível para atender os anseios dos nossos policiais. A ordem deve ser mantida. O que ocorreu na Bahia não vai ocorrer no Paraná'', declarou o governador Beto Richa (PSDB) à Agência Estadual de Notícias.

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