Polícia chilena prende ex-militar acusado de assassinar rapaz
Santiago, 15 (AE-AP) - A polícia chilena prendeu um ex-suboficial do exército que confessou ser o autor de uma das duas mortes registradas no último dia 11 de setembro, em razão da data de aniversário do golpe militar que levou o general Augusto Pinochet ao poder. O subsecretário do Interior, Guilhermo Pickering, confirmou hoje (15) que o militar confessou o crime. As autoridades apreenderam a arma e o automóvel usado pelo criminoso para fugir. O ex-sargento, que ainda não havia sido identificado, afirmou à polícia, de acordo com versões da imprensa, que tinha disparado contra Boris Gatica, de 22 anos, para se defender. O ex-militar disse que sua intenção era repelir um grupo de jovens que se encontrava junto a uma barricada de fogo e que tinha tentado assaltá-lo. Gatica morreu pouco depois de receber os disparos no peito. No entanto, testemunhas afirmaram que o ex-militar também tentou disparar contra outros manifestantes, mas a sua arma emperrou. Outro jovem também morreu baleado por desconhecidos durante um dos vários incidentes noturnos ocorridos em virtude do aniversário do golpe militar. A polícia envolveu-se em confrontos com manifestantes em diversos subúrbios de Santiago. Num desses choques, outras duas pessoas, entre elas um bebê, foram mortas asfixiadas pelos gases lacrimogêneos lançados pela polícia, de acordo com as famílias das vítimas, ainda que o motivo de suas mortes não tenha sido confirmado nem atribuído a esses gases. Alguns deputados denunciaram a possibilidade de que os incidentes tenham sido motivados pela atuação de grupos armados civis, supostamente ex-agentes de segurança. À esse respeito, Pickering disse que "algo assim pode ter ocorrido", sem, no entanto, confirmar essas especulações.





