A Polícia Militar cercou ontem a Prefeitura Municipal de Itaquiraí, a 470 quilômetros de Campo Grande, no extremo sul de Mato Grosso do Sul, para proteger o prédio de ações efetivadas por trabalhadores rurais. O edifício está ocupado por 400 sem-terra há quatro dias. Os manifestantes, que representam 2.168 famílias acampadas no município, afirmam que só desocuparão o prédio depois que o prefeito, Renato Tonelli (PMDB), atender suas reivindicações. O ambiente é tenso. Tonelli ganhou ontem liminar de reintegração de posse do edifício.
São 19 itens que os sem-terra exigem, que vão desde a concessão de mantimentos, medicamentos, um veículo para o setor de saúde, material escolar até cotas de passagem para ônibus intermunicipais e 300 litros mensais de gasolina. Os sem-terra justificam os pedidos afirmando que o Incra repassou muito dinheiro para prefeitura local. O prefeito Tonelli nega.
InjustiçaSegundo o prefeito, o Incra não repassou um centavo sequer em dinheiro para o município, apenas cedeu 19 mil litros de diesel para as máquinas que estão abrindo 55 quilômetros de estradas nos assentamentos. Tonelli classificou como ‘‘uma injustiça’’ o ato dos sem-terra. ‘‘Estamos gastando cerca de R$ 20 mil por mês com os acampados no município, sem receber ajuda do governo federal’’, disse. A prefeitura só possui um trator e teve que alugar mais três para abrir as estradas utilizadas pelos assentados.
De acordo com os líderes sem-terra, a sede da prefeitura continuará ocupada. Eles anteciparam que caso haja alguma reação por parte da PM - que mantém 150 homens no local - reagirão. Cerca de mil sem-terra acampados nas fazendas Sul Bonito e Indaiá estão do lado de fora da prefeitura para impedir a ação dos policiais. Segundo o comandante-geral da PM, coronel José Libério, a expectativa é de que ocorra um acordo e a desocupação seja feita pacificamente.

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