Londrina - O andarilho Everson de Araújo, de 36 anos, seguia internado em estado grave na UTI do Centro de Tratamento de Queimados do Hospital Universitário de Londrina até o início da noite de ontem. Ele estava em frente a um estabelecimento comercial na Avenida Dez de Dezembro, perto do Terminal Rodoviário, quando teve o corpo incendiado na noite de sábado.
De acordo com informações da Polícia Militar, populares teriam apagado as chamas e acionado os socorristas do Samu. No local, havia restos de papel queimado e um isqueiro. Conforme a assessoria de imprensa do Hospital Universitário de Londrina, o andarilho teve 48% do corpo queimado. Os ferimentos atingiram a face, o tronco, as pernas e os braços. O paciente respirava com a ajuda de aparelhos e corria risco de morte.
A Polícia Civil investiga o caso, mas ainda não tem pistas de quem cometeu o crime. A família do andarilho é de Assaí (Norte Pioneiro) e ele teria uma companheira em Londrina. A mulher não foi localizada pela polícia.
Imagens das câmeras de segurança de estabelecimentos próximos ao local do crime serão analisadas no inquérito. Everson de Araújo já havia sido atendido pela equipe de abordagem a moradores de rua. Segundo funcionários da Secretaria Municipal de Assistência Social, o último atendimento foi registrado em janeiro.
O proprietário de uma oficina mecânica próxima ao local do crime contou que é comum a presença de moradores de rua na Dez de Dezembro. "Eles nunca danificaram a minha loja, mas a gente sempre encontra restos de papel queimado e outros materiais por aqui", disse Leandro Luziano.
Levantamento da Secretaria Municipal de Assistência Social aponta que atualmente cerca de 300 pessoas vivem em situação de rua em Londrina. A coordenadora do Centro de Referência Especializado para a População em Situação de Rua (Centro Pop), Mariluci Queiroz dos Santos, explica que os andarilhos passaram por um "processo imenso de perdas" e que necessitam de acompanhamento para deixarem a vulnerabilidade. Com o trabalho de assistentes sociais, psicólogos e terapeutas ocupacionais, 42 pessoas deixaram as ruas em Londrina nos últimos dois anos e são assistidas pelo Centro Pop. "Com a condição de procurarem acolhimento nos abrigos, casas de parentes ou até alugar um quarto de pensão, essas pessoas são incluídas em programas de transferência de renda que permitem a construção de uma nova história", detalhou.

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