Polícia arma operação de guerra atrás de fugitivos
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segunda-feira, 09 de dezembro de 1996
Agência Folha 
SÃO JOSÉ DOS CAMPOS - As polícias Civil e Militar do Vale do Paraíba montaram ontem uma operação de guerra para tentar recapturar os 146 presos que fugiram da Cadeia Pública de São José dos Campos (97 km a nordeste de São Paulo) sábado à tarde. Pelo menos 200 policiais foram mobilizados para a maior caçada policial já feita na região. Todas as saídas do município foram bloqueadas. Até o início desta tarde, apenas 25 detentos haviam sido recapturados.
Um dos fugitivos, identificado apenas como Fialho pela polícia, foi morto após troca de tiros em uma área próxima à cadeia, que fica no bairro do Putim, na zona sul de São José. Segundo a polícia, outros três detentos ficaram feridos durante a operação de recaptura. A fuga em massa ocorreu por volta das 16h de sábado e envolveu praticamente 50% do total de presos da cadeia (290).
O diretor-interino da cadeia, Eduardo Kepczynski, disse que quatro presos armados com revólveres calibre 38 renderam os dois carcereiros da sala de controle e utilizaram uma chave falsa para abrir as celas. Após abrirem as celas, os detentos armados se esconderam em caixas de isopor (utilizadas para levar comida a cadeia).
As caixas foram empurradas até a portaria central por outros presos, onde eles renderam outros três carcereiros e saíram pela porta da frente. Um dos carcereiros foi agredido com uma coronhada na cabeça. Os 13 carcereiros que protegiam a muralha tentaram, sem sucesso, impedir a fuga. Houve troca de tiros entre os funcionários da cadeia e os fugitivos.
O diretor da cadeia afirmou que vai abrir sindicância para apurar como as armas foram levadas para dentro do prédio. Kepczynski assumiu a direção da cadeia na semana passada e não soube informar quando foi o último dia de visitas aos presos. Segundo ele, todas as visitas foram suspensas ontem por causa da fuga em massa. A cadeia de São José é considerada de segurança máxima.
O delegado regional de polícia do Vale do Paraíba, Hélio Pantaleão,
determinou a suspensão das folgas de policiais de outras cidades da região para reforçar a operação de recaptura. Segundo Pantaleão, 120 policiais civis estão buscando os assaltantes. Um helicóptero da Polícia Civil de São Paulo também participa da operação. Ele disse acreditar que a maior parte dos fugitivos ainda se encontra na região entre São José dos Campos e o litoral norte. A cadeia do Putim fica próxima à rodovia dos Tamoios, principal via acesso para o litoral.


