Polícia apura negligência em morte
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quinta-feira, 09 de agosto de 2007
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
O garoto Wesley Henrique da Silva, de seis anos, morreu na madrugada de ontem no Hospital Universitário (HU) de Londrina vítima de infecção generalizada. Na semana passada, após se envolver numa briga com um colega de escola de nove anos, ele passou a reclamar de fortes dores na perna esquerda, foi atendido e liberado do Hospital Municipal de Sertaneja (Norte Pioneiro) e seu quadro só piorou. O delegado de Cornélio Procópio, Cássio Wzorek, investiga se houve negligência por parte de uma médica que prestou o primeiro atendimento. A direção clínica do hospital afirmou que o procedimento adotado teria sido o indicado para aquele momento.
Ontem, um tio da criança lamentou o fato de o sobrinho ter sido liberado pela médica, mesmo reclamando de dores no joelho esquerdo. Ele comentou que Wesley poderia ter estar vivo se ''ela tivesse atendido melhor''.
O garoto teria se envolvido em uma briga com um outro de nove anos, que seria sobrinho da diretora da escola onde ambos estudavam, em 30 de julho. Um dia depois, começou a sentir dores no joelho. Após ser liberado pelo Hospital Municipal e continuar reclamando, o menino foi levado para a Santa Casa de Cornélio Procópio que o encaminhou em estado grave para Londrina no último sábado. No HU, ele sofreu duas cirurgias e permaneceu todo o tempo na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) pediátrica.
O delegado antecipou que irá investigar a suspeita de negligência ocorrida no Hospital de Sertaneja. Ele confirmou o prosseguimento das investigações e informou que conversou com a pediatra do HU que atendeu Wesley. ''Ela me disse que o Wesley tinha um vírus no organismo que, por algum motivo, entrou na corrente sanguínea e provocou uma infecção generalizada'', detalhou Wzorek, lembrando que o laudo de necropsia não deve apontar o que teria desencadeado o processo infeccioso. A médica teria comentado ainda que não encontrou nenhum trauma ou fratura no local onde o menino reclamava de dores. Nos próximos dias, o delegado pretende ouvir familiares do garoto e a médica que o atendeu em Sertaneja.
Ontem, a mãe e um tio de Wesley estavam acompanhados por funcionários da Prefeitura de Sertaneja, que pressionaram para que não dessem declarações à Folha. A reportagem contatou a Secretaria Municipal de Saúde mas uma enfermeira não informou o nome do secretário municipal, identificado apenas como Cornelinho por uma funcionária da Prefeitura.
O diretor clínico do Hospital de Sertaneja, José Antônio da Fonseca, afirmou que os procedimentos médicos adotados pela médica foram corretos. ''Não vejo (que tenha havido) negligência. O paciente foi atendido com um determinado quadro que evoluiu de maneira diferente e se tornou um quadro grave'', comentou. A médica que deu o primeiro atendimento foi procurada mas não encontrada.


