Polícia apreende remédios suspeitos em SP
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quinta-feira, 22 de julho de 1999
Por Marcelo Godoy 
São Paulo, 23 (AE) - A polícia encontrou hoje grande quantidade de medicamentos suspeitos de serem falsificados em um depósito na Rua Cachoeira, no Brás, em São Paulo. Há suspeitas de que no local funcionava um laboratório clandestino. O comerciante Edelson Junqueira, de 56 anos, foi preso em flagrante. O maioria do material encontrado pela polícia estava em embalagens de antibióticos, como eritromicina, ampicilina e tretraciclina. Outra parte estava em sacos plásticos. Caso fosse vendida, a mercadoria valeria R$ 800 mil.
Acusado de crime contra Saúde Pública, Junqueira negou fabricar ou vender os medicamentos. Afirmou que apenas estava mantendo em depósito os remédios, pois sua empresa, a Farmodel está fechada há dois anos. "Minha licença para produzir está vencida."
Para a polícia, há indícios de que no local funcionava um laboratório clandestino. "Estávamos atrás de uma denúncia contra falsários que usariam laboratórios inexistentes para vender remédios falsificados no Sul do País", disse o investigador João Batista Lopes, da Delegacia da Polinter de São Paulo.
A investigação do caso começou em Torres, no Rio Grande do Sul, quando um paciente que estava usando o antibiótico eritromicina queixou-se da falta de efeito do medicamento. Mandado para análise, verificou-se que ele era feito apenas com amido. Os policiais gaúchos foram atrás do fabricante, o Laboratório LLoagner, no Paraná. Ele estava fechado. No local, acharam documentos em nome de Junqueira e dois endereços em São Paulo.
A polícia gaúcha passou as informações à paulista. Em abril, os policiais de São Paulo verificaram o primeiro endereço
a Rua Ferminiano Pinto, no Brás. Lá, constataram que Junqueira mantinha um laboratório clandestino de remédios. Antes que pudessem prendê-lo, o comerciante escapou. Hoje os mesmos policiais conseguiram surpreendê-lo na Rua Cachoeira, no Brás.
Após a prisão, a polícia chamou os fiscais da Vigilância Sanitária do Estado. O local usado como depósito dos remédios não tinha condições de abrigá-los. Não tinha também licença nem alvará de funcionamento. Além de embalagens do LLoagner, também havia de dois outros laboratórios: o paulista Farmodel, fechado há dois anos, e o paranaense Milamed, também fechado. A Polinter pediu ao peritos do Instituto de Criminalística (IC) de São Paulo uma análise no material apreendido para saber se os medicamentos são de amido.


