São Paulo, 22 (AE) - A polícia apreendeu uma fita que denuncia um suposto esquema de cobrança de propinas em Itaquera, zona leste de São Paulo. A fita, que foi entregue pelo comerciante W.P.S., revela a negociação de uma propina entre o comerciante e funcionários da Administração Regional de Itaquera. O valor da propina seria de R$ 10 mil.
Segundo o comerciante, em junho de 1997 ele recebeu a visita de um casal de fiscais no salão comercial que estava construindo na época, na Rua Tomé álvares de Castro, Itaquera. Ao constatarem irregularidades na obra, os dois fiscais - Albano Pires e a outra, identificada apenas como Cristina - intimaram o comerciante a levar a planta da obra na regional. Segundo o comerciante, a planta não existia porque o terreno tinha um problema de desapropriação.
Na regional, W.P.S. teria conversado com a supervisora de Uso e Ocupação do Solo, a arquiteta Dinorah Braga. Para que a obra não fosse embargada, o comerciante tinha de pagar R$ 6 mil. O valor foi baixado para R$ 5 mil, que foram pagos em quatro cheques, um de R$ 2 mil, e três de R$ 1 mil. A conversa, segundo o comerciante, foi presenciada por seu pedreiro e pelo fiscal Pires, que está com a prisão temporária decretada.
Em novembro de 97, o comerciante foi procurado novamente por dois fiscais da regional, identificados por Japonês e Gonzaga. Os dois alegaram que, como a obra tinha três frentes, deveriam ser pagos mais R$ 10 mil de propina.
Segundo a polícia, mais uma vez W.P.S. foi encaminhado para Dinorah, que também teria cobrado os R$ 10 mil. A conversa, porém, foi gravada pelo comerciante. A fita e cópias dos cheques pagos a Dinorah foram apreendidos. A polícia irá investigar se Dinorah foi transferida da Administração Regional de Guaianazes para Itaquera por influência do vereador Dito Salim (PPB).

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