Polícia apreende documentos que podem indicar falhas no Celobar
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quarta-feira, 11 de junho de 2003
Agência Estado 
Rio - A polícia apreendeu no Laboratório Enila um dossiê que detalha a produção do lote 3040068 do Celobar, suspeito de ter provocado a morte de 22 pessoas, e encontrou novos indícios de falha no controle de fabricação. No documento, aparece como conferente da produção do lote o químico Sérgio Porto Carreiro, profissional que está afastado da empresa há mais de um ano, segundo o delegado Renato Nunes.
''Isso é uma irregularidade administrativa, mas pode configurar responsabilidade criminal, já que é evidente que o produto final não teve acompanhamento'', afirmou o delegado. Nunes encontrou ainda vários formulários de conferência de produção não preenchidos, mas já assinados por Carreiro. O químico foi intimado a depor hoje.
O delegado Nunes permaneceu quatro horas no laboratório, cumprindo um mandado de busca e apreensão expedido pela Justiça, às 23 horas de terça-feira. Além do dossiê com o registro de todo o processo do Celobar da mistura da matéria-prima à liberação do lote , Nunes apreendeu livros contábeis e computadores dos setores de compras e de contabilidade.
Segundo o delegado, o dossiê vai permitir que se rastreie a que lote pertencia o sulfato de bário usado para fazer o Celobar ou se a empresa usou o sulfato obtido a partir da síntese de carbonato de bário, produto tóxico usado em tintas e até veneno de rato.
Já nos computadores, Nunes quer saber se a diretoria do laboratório tentou alterar dados sobre a quantidade de sulfato de bário importada. ''Investigamos a hipótese de crime doloso (em que há intenção) e quem pratica um crime doloso tenta apagar provas'', afirmou.
Ontem, o delegado ouviu o depoimento de uma das sócias do laboratório Farmos, Dulceneide Muniz de Melo. Ela confirmou que vendeu ao Enila 600 quilos de carbonato de bário em 18 de novembro, ao preço de R$ 3 o quilo. Nunes informou que mandou levantar o valor pago pelo produtor do Celobar pelo sulfato de bário importado. ''Se de fato usaram o carbonato de bário, não vejo outro motivo senão o barateamento do custo'', disse.
Entre os materiais apreendidos no Enila estavam etiquetas vermelhas com a palavra ''rejeitado'' impressa em preto. O número do lote 3040068 foi escrito a caneta. Nunes relatou que, segundo o depoimento da farmacêutica Márcia Almeida Fernandes, o lote havia sido reprovado em abril pelo controle de qualidade por haver elevado número de bactérias. O material ficou em quarentena e submetido a nova análise 15 dias depois.
''Quando o medicamento foi novamente reprovado, ela se dirigu ao depósito para colocar as etiquetas e descobriu que o produto já estava no mercado. Ela disse que sequer sabia que o laboratório químico estava funcionando'', disse.
O advogado do Enila, Paulo Henrique Lins, disse ontem que o laboratório pediu baixa do Conselho Regional de Química para ''não pagar duplicidade de conselho'', mas que o Enila tinha autorização para fazer experiência química do Ministério da Saúde e alvará da prefeitura. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já informou que o laboratório não tinha registro para fazer aquele tipo de experimento.


