Polícia apreende computadores e disquetes em empresa
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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2000
Por Marcelo Godoy 
São Paulo, 22 (AE) - A polícia apreendeu hoje três computadores e duas caixas com disquetes que podem conter dados sigilosos sobre 17 milhões de contribuintes da Receita Federal. A material suspeito estava em uma empresa que fazia mala-direta na Avenida Santo Amaro, na zona sul de São Paulo. Os donos da empresa negaram estar envolvidos no vazamento de informações da Receita.
O delegado Manoel Adamuz Neto, responsável pela apuração do 5.º Distrito Policial, disse que fará nesta semana uma acareação entre três suspeitos de envolvimento do caso: o vendedor Jefferson Festa Perez e os comerciantes Carlos Alberto Rodrigues e José Adriano Pires. Este último é o dono dos computadores apreendidos hoje.
A ordem para a operação de busca e apreensão na empresa de Pires foi dada pela juíza-corregedora Ivana David Boriero. Os policiais haviam ido ontem à antiga sede da empresa, no Brooklin
zona sul, mas Pires já havia mudado de lá. Descobriram a nova sede e foram até o local. "Essas acusações contra mim são uma forma de a concorrência nos tirar do mercado", disse Pires.
Ele prestou depoimento e foi liberado pela polícia. Estava acompanhado da mulher, a comerciante Lourdes de Oliveira. Pires havia sido apontado por Rodrigues. Este afirmou que havia ido ao escritório de Pires acompanhado por um amigo - que também depôs e confirmou sua versão - e foi-lhe mostrado num computador um programa com dados cadastrais da Receita. Segundo eles, além de nome e endereços completos, o programa também fornecia dados como renda bruta e profissão e tinha campos específicos da Receita.
Segundo Pires, quem oferecia esse tipo de disquete era o vendedor Perez. "Ele ofereceu-me, mas eu não quis." Ao depor, Perez não havia citado Pires, mas somente Rodrigues. "O Perez está protegendo o cabeça desse esquema", afirmou o delegado. Com a acareação entre os três, a polícia espera resolver as contradições entre os depoimentos.
O vazamento de dados da Receita foi descoberto quando a polícia apreendeu com Perez disquetes que ele vendia por R$ 4 mil. Ele também oferecia por R$ 6 mil os dados de assinantes da Telefônica e da Telemar, até dos que não constam em lista.
"Deveremos pedir a quebra do sigilo bancário de um quarto suspeito (José Christiano Pereira Luis Junior)", disse o delegado. Este último é suspeito de vender dados da Telefônica. Ele teria recebido um cheque de Perez como pagamento pelos disquetes. O material apreendido hoje com Pires foi enviado ao Instituto de Criminalística.
Justiça - O juiz João Carlos da Rocha Matos, da Justiça Federal, requisitou cópias de todo o material disponível sobre o caso em poder do 5.º DP, mas, no pedido, informou que isso não deve significar prejuízo às investigações da Polícia Civil. A procuradora-chefe da República em São Paulo, Janice Agostinho Barreto Ascari, já havia requisitado, semana passada, ao superintendente da Polícia Federal (PF) em São Paulo, Yokio Oshiro, a abertura de inquérito policial sobre o caso.


